Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Cartografia Escolar – Mapa do Tesouro

CARTOGRAFIA PARA CRIANÇA e Cartografia e Arte

(veja também a página http://cartografiaescolar.wordpress.com/cartografismo/).

por Eugênio Pacceli da Fonseca (julho,outubro, dezembro 2011 e modificado vez por outra).

                                

Se o aluno já absorveu as noções de topografia através de conteúdos como curvas de nível, coordenadas, escalas, declividade e outros também importantes para a cartografia como níveis altimétricos, ele pode agora tentar esboçar um mapa físico de uma área hipotética. Pode ser proposta a tarefa de desenhar um mapa de uma ilha (ou de um terreno qualquer) na qual um tesouro tenha sido enterrado.

Obviamente pode ser pedido um desenho de um “um mapa de tesouro” também para iniciar os estudos, ou seja, para sondar as noções prévias que os alunos trazem sobre os mapas. Comparar um mapa prévio com um mapa feito após todo um estudo de cartografia escolar mostrará o avanço obtido.

Veja o que eu tenho em mente:

Pedir:

“Desenhe um “Mapa do Tesouro”. Esse mapa deverá mostrar o relevo da área, que pode ser uma ilha. Será, portanto, um mapa físico. As convenções das cores comuns a esse tipo de mapa têm que ser seguidas. No mapa explique, criando uma legenda, as marcas desenhadas: ponto de atracação do navio; a rota até o local do tesouro, e é claro, o próprio local do tesouro, o nome da Ilha, as coordenadas.”

Os passos seriam mais ou menos esses:

Obviamente o aluno deve partir da sua imaginação. Desenhando o traçado dos contornos da Ilha (tudo pode ser feito à mão como a miniatura lá de cima mostra):

Depois imagina seu relevo e o desenha através de curvas de nível:

Depois é colorir e completar (retirei as curvas, mas a variação das cores as informam):

Como se vê o colorido foi através de um processador de imagem, mas mesmo colorindo a lápis fica muito bonito.

Informações não podem faltar para quem quer achar o tesouro: Invente um nome para a ilha e invente as coordenadas. Seu aluno pode ser sugerido a localizar a ilha no Índico ou em algum outro dos “sete mares”. O aluno mais empolgado colocará ao lado a famosa bandeira dos piratas e poderá “envelhecer” o mapa, com photoshop ou queimando as bordas do papel em que ele vai desenhado….

Vejam que feito à mão (como a maioria dos alunos fariam) não fica feio não (ainda incompleto);

Abaixo, ainda, o mapinha feito à mão, porém,  com envelhecimento básico num processador de imagem (sugestão).  Mudei o nome da ilha (como já disse, ela é minha mesmo, faço dela o que eu quiser…):

(vejam que optei pela saída hemisfério sul, negativo; hemisfério oeste, negativo também…)

Quando mais novo fiz mapas assim para uma “amiga”, na forma de um cartões, ficaram bem bonitos.

Quanto mais pequenino melhor (as imperfeições somem e a pessoa tem que se esforçar para ler, sorrindo… Romântico não?).

O trabalho pode ser chamado de” mapas dos sonhos”; “Ilha dos Namorados” ou coisa parecida, a intenção e que o trabalho prenda a atenção dos alunos..

Abaixo: um fragmento de um livro de geografia/cartografia para crianças que usa o personagem Garfield como atrativo (notem as curvas de nível…). O endereço para comprar o livro vai abaixo.

http://www.teacherstoolseducational.com/warm_up_with_garfield_geography_mysteries-p-1517071.html

Há vários mapas hoje em dias em jogos de estratégia nos computadores e vídeo games. Os alunos farão bem mais bonitos do que você imagina…

O mapa abaixo é de um jogo RP. Vejam como ele guarda certas conveções cartográficas.Parece até parente do meu mapinha acima.

O Marcel, um leitor assíduo, disse que isso já é perder tempo. Concorda mais com os chineses que vão direto ao assunto com objetividade e sem “frescuras”. O negócio, de acordo com ele, é ensinar as coordenadas, as curvas de nível e toda a técnica que a cartografia exige, considerando obviamente a idade das crianças, mas sempre forçando a barra para a frente, ou seja, “carro apertado é que canta” (como recentemente exposto na revista Veja, em um comentário sobre um livro que relatava como uma mãe chinesa, nos EUA, educou sua fílha para o triunfo na vida: exigências e obrigações, sem espaço para o lúdico, a arte ou coisas menos exatas…).

Tudo bem Marcel, mas como não estou na China, nem nos EUA, não sou chinês, nem anglo-saxão, não sou confuciano nem calvinista e “não quero só comida”, trilho também pelas sendas dos sonhos…

E como eu sou só um pouco bobo, para reforçar o meu lado, afirmo ainda que é uma grande preocupação entre os especialistas, cartógrafos-educadores, trabalhar com a Cartografia para as crianças. O excelente site citado abaixo, mostra o quanto a Sociedade Brasileira de Cartografia  se preocupa com a questão. Eles têm todo um trabalho nessa linha, inclusive com concursos que incentivam a cartografia criativa das crianças.

http://cartografiaescolar.blogspot.com/

Não devemos substimar os mapas criativos. Acredito que devemos incentivar nossos alunos a desenhá-los, desde que eles apliquem algumas convenções  cartográficas que ensinamos em classe.

Dois exemplos de mapas (premiados em concursos internacionais) criados por criança:

..

 .

Agora tente desenhar o mapa do amor…

Como o maior tesouro é o amor, ai vai um possível mapa do amor!

Mapa do Amor

Aqui só mudei a temática. Quantos quilômetros Romeu deverá atravessar para encontrar sua amada Julieta,evitando as armadilhas do amor e parando para conversar com o temido Sogrão?

                                .

Foi um trabalho simples e sem grandes detalhes. Faça melhor do que isso.

Para responder a pergunta que foi feita coloque a escala. Escolha uma não muito pequena. Peça para o aluno justificar o trajeto escolhido.

Desenhei à mão. Passei para um processador de imagem bem amistoso. Preferi usar tons de verde e acho que ficou bonito. Foi uma tentativa de aproximar o desenho dos mapas de jogos de computador com os quais os alunos já estão familiarizados.

Notem ainda que o resultado final subentende que tivemos o trabalho de reunir as altitude em classes e tivemos que apagar as curvas de nível (as que separam as classes ficaram expressas nos contados entre tons diferentes, mas aquelas que estavam dentro de um mesmo tom simplesmente foram eliminadas).

Se partimos do mapa de curva de nível como eu fiz, dá para perceber que a Julieta tem um coração “altivo” e o Romeu terá que galgar “montanhas” para conquistá-lo…

Enfim, deixe que os alunos soltem a imaginação e cobre o essencial: escala, convenções (norte, cores da hipsometria, que eu mesmo não usei…).

Olhem outros mapas do amor aí (parece ser comum nos EUA que se desenhe mapas assim no dia dos namorados). Procurando mapas desse tipo se chega ao que chamam por lá e na França de “cartografismos” (são mapas artísticos, ou peças de arte tendo mapas por base). São muito bonitos e vale a pena conversar com os professores de Educação Artísticas sobre isso, quem saber surge aí um trabalho interdisciplinar…

“Eu te amo” em 130 idiomas:

GlobaNova_ILoveYouMap_Pink-1800.

Mapa do amor:

   

.

Olha que interessante esse aí de baixo:

                                         

http://www.kittenbear.net/2011/08/diy-cartography-heart-set.html

Um pouco de cartografia e arte: olhem alguns cartografismos aí:

Bonitos, né!

                                             

.

.

Eu tive uma colega aqui no meu colégio que fazia com seus alunos (professora de Geografia, é bom que se diga) mapas como o que vai aí abaixo. Usava sementes, tecidos, etc. Veio um outro colega para “limpar” os arquivos de Geografia e jogou o material dela fora (eram bem antigos e eu os guardava com carinho). Pode um negócio desses!

                                                            

.

Os mapas que a colega fazia com que os alunos fizessem eram semelhantes a esse abaixo. A diferença é que, se me lembro bem, os alunos colavam o tecido sobre o papel. Enfim, se alguém tem uma imagem de um mapa assim, por favor, me envie!

O trabalho aí abaixo é uma obra em tecido- chita-, em grande dimensão, tipo um mural. Tirei a imagem do blog da artista Mara Morelli.

http://chitarte.blogspot.com/

Olha que curioso e belo:

                                                                             

.

Olha Manhattan aí:

.

. “Um negócio muito doido!” Como diriam alguns alunos. A página começou como coisa de criança e terminou em arte erudita e crítica. Acho até que vou separar as duas. Olhem o “mapa” abaixo do meu estado, Minas Gerais, (pois se trata indubitavelmente dele) que encontrei sem referências devidas. Acho que quem postou nem sabe que é uma crítica à mineração em nosso país e estado. É da artista Maya Lin. Vejam como é forte:

http://clairelight.typepad.com/atlast/landscape_art/

Um crítico assim se expressou sobre a obra acima: “Ela criou um sentido alternativo da dimensão topográfica de um objeto 3-dimensional (o livro), composto de 2 paginas-dimensional, que descreve uma paisagem 3-dimensional. E em cima disso, ele é lindo de se olhar. Incrível! “

O livro e as duas páginas citadas são essas:

 Para mim o forte continua sendo “Minas é um buraco”!

.

Austrália:

                                                          .

.

Abaixo, outro bonito cartografismo da Austrália. Seríamos (nós professores de Geografia e de Educação Artística e nossos alunos) capazes de fazer algo assim, em homenagem ao nosso país ou ao nosso estado?

.

     O trabalho acima realmente me impressionou. Simples e belo. Belíssimo mesmo!  Usa material prosáico do dia a dia do professor e dos alunos – meros lápis. E olha que nem novos os lápis são… Estou tentando reencontrá-lo na internet para citar o autor como ele merece, mas simplesmente não acho. Se alguém achar, me informe, por favor.

..

Olha os australianos surpreendendo. Claro que o “mapa” abaixo não vai satisfazer a todos, nem como arte, nem como mapa tecnicamente correto, mas o poder de síntese é enorme (tenho a impressão que a histórica rivalidade Melbourne X Sidney se fez presente…).

.

Abaixo ainda a Austrália, ao estilo aborígene.

..

Duas peças do “cartografista” uruguaio-estadunidense Joseph Jacinto “Jo” Mora: o Grand Canyon e o Parque de Yosemite:

.

.

.

Impressionantemente bela peça “Cartografia antiga de um mundo esquecido” (Sylvie Samy). Clique para ampliar:

A beleza do trabalho gráfico do artista Edward Hann impressiona além de ser uma séria denúncia.

” Pessoas deslocadas internamente – poster 06″. Trata-se de ” uma exploração da teoria da”concepção de uma mensagem de ética “, usando a uniformidade e a ordem do grid, misturada com a beleza natural de uma paisagem topográfica, para demonstrar a dimensão da crise humanitária em Darfur Ocidental e Leste do Chade. Cada tela de impressão foi impressa pela tela K2, em 240gsm GF Smith, papel Plike preto e é dimensionada em 720 por 1020 milímetros. “

Há o grid das coordenadas. Há as curvas de nível. Pelo que se vê relaciona o painel com fotos da crise humanitária.

. Já os trabalhos abaixo adoçam a vida. A autora – -Stephanie Gerolimatos – deu o nome de  “Saccarine Cartography”   à série. Eu traduziria como “mapas doces” e alguém já disse sobre eles: “pinte a Coréia do Norte da cor de rosa e esse país deixará de parecer tão perigoso”:

http://darteboard.com/2009/02/21/new-art-saccharine-cartography-what-does-she-mean-by-that-anyway/

.

Também bem legal e interessante para os amantes dos mapas. No site abaixo pais e filhos criam mapas imaginários e a empresa dá o acabamento. Há um custo. Mas que é legal, é!

http://www.kidlandia.com/default.aspx

Olha um produto (faz-se o mapa em material apropriado, para dependurar na parede, ou o que se queira):
..

Mapa dos Estados Unidos à moda “senhor dos anéis”.

Antiqued

4 Respostas to “Cartografia Escolar – Mapa do Tesouro”

  1. Iara Alex Braga Davy said

    Parabéns pelas imagens e exemplos de possibilidades de se trabalhar a
    Cartografia em sala de aula. Sou professora de Geografia e Artes e estou planejando
    a nossa Primeira Semana de Cartografia na Escola e fiquei encantada com o que vi.
    Iara

    • mileumlivros said

      Olá, Iara. Saudações.
      Muito obrigado pelas palavras gentis.
      Tudo de bom e felicidades na carreira!
      Atenciosamente.
      Eugênio Pacceli da Fonseca.

  2. Ivone dos Santos Portilho said

    Eugênio,
    Sou professora de geografia. Trabalhei por 15 anos nas turmas de ensimo médio e fundamental depois fui dar aulas na graduação. Hoje, por necessidade de exercitar o que falo no curso de formação de professores de geografia, resolvi voltar as salas de aula do ensino fundamental. Meus ajustes foram complicados, mas sua página me ajudou muito, muito mesmo.
    Muitíssimo obrigada pela ajuda. Você está de parabéns! Lindo seu trabalho.
    Ivone

    • mileumlivros said

      Olá, Ivone. Saudações.
      Muito obrigado pelas palavras generosas.
      Parabéns pela carreira. Continue assim, sempre com curiosidade, coerência e dedicação.
      Tudo de bom!
      Eugênio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 74 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: