Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Psicogeografia

Cartografia subversiva:

desafiando a precisão do mapa oficial –   Psychogeography

em construção tenham paciência.  Não é escrito por mim estou traduzindo aos poucos para melhor citar

A geografia física e psicológica das cidades tem sido uma fonte de inspiração para os artistas.Historicamente, as cidades são as musas: a Dublin de Joyce, a Paris de Van Gogh e a Nova Iorque de Stieglitz. Com a proliferação e onipresença da tecnologia digital, documentar, categorizar, e transmitir o “catálogo de formas” visual da cidade é feito hoje muito mais facilmente. Assim como cada artista coloca na tela sua própria representação da cidade, a tecnologia digital está permitindo cada vez mais ângulos, enfoques e pontos de vista para estudar a cidade. Câmeras de telefones celulares, filmadoras em celulares, câmeras de vigilância de vídeo, câmaras web sem fio, e as câmeras digitais cada vez menores de captura de várias camadas de espaços da cidade. Ao mesmo tempo, os sinais invisíveis de geografia urbana, tais como Sistema de Posicionamento Global (GPS) e Internet wireless hot spots estão sendo feitos visíveis através de práticas específicas do local de arte que alteram a sua utilização e criam narrativas urbanas alternativas. Estas práticas são conhecidas como baseadas em localização de mídia, e são obras cujo foco central é um local específico.

O surgimento dessas novas tecnologias tem facilitado o ressurgimento e a expansão da teoria e da prática da psicogeografia . Psychogeographers têm feito experiências com as cidades por mais de 40 anos, mas só recentemente esta teoria se manifesta de maneiras diferentes nos textos. A nova onda de artistas psicogeográficos e profissionais, a seguem (literalmente) os passos dos entusiastas iniciais da psicogeografia – o situacionistas -estão interpretando suas idéias de uma forma tangível, criando, inclusive, projetos que são divertimento acessível a todos, trazendo a psicogeografia a um público mais amplo e popular.

Esta nova geração de prática, que inclui inúmeros sites coletivos de arte e conferências, está comprometida com o “mapeamento mental” e cívico dos espaços físicos, ou seja, em mapear as versões de lugares como eles existem em nossas mentes e são representados por nossas emoções. Estes variam de projetos que utilizam dispositivos tecnológicos que deixam geo-marcadores (coordenadas precisas de onde alguma coisa está localizado) para as tags de graffiti deixado para trás por artistas desconhecidos. Edifícios prontos para a demolição, pontos de ônibus, são coisas dignas de atenção do olhar psicogeográfico. É um novo tipo de cartografia que reconstrói e altera o modo como representamos vários ambientes urbanos, misturando novos e pessoais elementos nesses mapas que desafiam as chamadas representações objetivas e institucionais das cidades.

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Cartografia é o estudo e a prática da confecção de mapas e globos. Mapas são inerentemente problemáticos. Antes de tudo, eles assumem uma realidade “objetiva”: uma versão do mundo que pode ser inscrita, enquadrada e confiável. Qualquer pessoa que tenha se perdido em uma cidade, sabe que mesmo o mais exigente mapa ainda é um documento subjetivo, e que sua versão do mundo é uma questão de opinião. A segunda falha fatal dos mapas é que eles têm sido utilizados, ao longo da história política, como armas em lutas pelo poder político. Quando o exército britânico ocupou a Irlanda, uma de suas primeiras iniciativas militares foi um re-mapeamento de todo o país. Por que se preocupar, quando os mapas da Irlanda já existiam e estavam servindo o seu propósito, a navegação? Porque a Inglaterra queria ser o autor do mapa da Irlanda. A Grã-Bretanha sabia que: a mão que desenha o mapa governa o mundo. América também sabia: a substituição ampla e total de mapas aborígenes pelos mapas dos “pioneiros” foi uma prova clara e legível para sua vitória. Mapas são atraídos pelo poder dominante, e é por isso que eles são documentos tão poderosos. É também por isso eles são tão perigosos, e é por isso que o movimento recente de artistas para recuperar a cartografia é de enorme importância .

As novas tecnologias tem revolucionado a cartografia tanto em relação ao suporte físico, quanto do ponto de vista conceitual. Mapas, que tradicionalmente têm sido feitas utilizando caneta e papel, estão sendo digitalizados com a disseminação da tecnologia informática.

Quando olhamos para um mapa institucional de um lugar, estamos vendo uma abstração dos fatos e qualidades que o Estado pensa que precisamos saber. Entretanto o que muitas vezes fica de fora dessa abstração oficial dos lugares são aqueles elementos do cotidiano que fazem esses lugares o que são, e que os tornam reconhecíveis e navegável. O layout desses lugares pode ser repassada, mas a sensação é deixado de foraO efeito emocional que os lugares têm sobre os seres humanos se perde no documento oficial.

As omissões em mapas ditos objetivos podem ser frustrantes. Por que eles não mostram os pontos de referência não-oficial? A mulher sem-teto que dorme em frente à loja de vídeo, o beco estreito que serve como um grande atalho entre duas ruas principais ou o cheiro da fábrica de biscoito da sorte que se irradia para uma quadra e meia: estas são as coisas que as pessoas lembrem-se, a marcos que ressoam. E por que não são as fotos oficiais como satisfação a olhar para como os de nossos álbuns pessoais? Da arquitetura, Ludwig Mies van der Rohe disse “Deus está nos detalhes”, mas quando se trata de geografia, a humanidade está nos detalhes. Imagine um mapa padrão ou fotografia da cidade que também mostra o emocional ou importantes pontos quentes, uma cena de crime notório, o local de um primeiro beijo, que tradicionalmente são deixados de fora. Estas coisas não aparecem em um mapa “oficial”, que decide, em nosso nome, o que é importante e o que pode ser deixado de fora. Embora este tipo de reducionismo seja muitas vezes necessário (ninguém quer ver uma história de amor ao tentar se deslocar do ponto A ao B o mais rápido possível), qualquer reivindicação de representar a verdadeira realidade do lugar se tornar problemática. Reconhecendo a necessidade de mais detalhes, práticas experimentais psicogeográficas tentam  gerenciar e documentar esses detalhes. Eles oferecem alternativas de mapas de lugares não mapeados, e, talvez mais importante, oferecer uma alternativa para o próprio conceito de mapa institucional.

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posted by Roberta Rodamilans at 6:05 PM 0 Comments

Thursday, October 30, 2008

Por uma cartografia transgressora

Aqui vai a outra discussão também da última aula sobre o artigo Subversive cartography: Challenging the accuracy of the oficial map.do Museu virtual do Canadá.

O artigo se propõe a apresentar um novo conceito e modo de produção cartográfica da cidade, uma cartografia que foge dos padrões de produção dos mapas oficiais, uma cartografia anárquica, subversiva. A produção destes mapas, contudo, se deve ao fato de que as tecnologias digitais facilitou/possibilitou as produções destes mapas na Web, bem como o ressurgimento da Psycogeography, que seria um movimento de construção de “mapas mentais” que estariam disponíveis em sites, conferencias, entre outros. Esta nova onda da Psicogeografia é descrita como anotações urbanas “comprometidos com o “mapeamento mental” do espaço físico cívico, isto é, mapeamento das versões dos locais que existam nas nossas mentes e são representados pelas nossas emoções”.

Contudo o artigo não contextualiza a origem da psicografia, o que suscita questões como: qual a origem? Quem criou e com quais propósitos? porque surgiu e desapareceu, ja que o artigo fala em “ressurgimento”?
A origem, contudo, ocorre nos 1950, pelo grupo avant-garde-revolucionário francês, primeiramente chamado Letristas, e depois Situacionistas. lSua primeira aparição foi na ‘Introdução a uma Crítica da Geografia Urbana’ (1955), onde dá uma definição compacta: ‘o estudo dos efeitos do ambiente geográfico, conscientemente organizado ou não, nas emoções e maneiras, comportamentos e modos de ação, procedimentos e condutas, ações e atos de indivíduos’. Em 1992 recriou-se a London Psychogeographical Association,que ficou muito em voga este termo.
O que caracterizaria a psicogeografia são projetos carregados destas anotações urbanas de determinado ponto da cidade, como demolições, paradas de ônibus, mendigos, todos estes serviriam de inspiração para este tipo de cartografia, que redesenha o espaço urbano de acordo com a visão do artista e desafiam as representações institucionais. No fundo, este movimento tenta mostrar o outro lado que não está contemplado nos mapas oficiais, tipo, “a vida retratada como ela realmente é”.Para isso, o artigo traz uma crítica contudente sobre o estudo da cartografia, em que a execução destes mapas é em si é essencialmente problemático e contém falhas, porque (1) os cartógrafos controem estes mapas projetando uma cópia de mundo baseado numa realidade objetiva, confiável, o que para o artigo, o mapa é algo subjetivo, cuja visão de mundo quem constroi não é um mapa, mas sim a própria pessoa. (2) os mapas estariam sendo usados como arma de lutas políticas, de poder político, de dominação. O exemplo que eles citam foi quando a Grã-Bretanha invadiu a Irlanda, em que a primeira iniciativa foi de re-mapear a entrada do país, porque eles queriam assumir a autoria do mapa irlandês. Para eles, “os mapas são projetados pela potência dominante, e é por isto é porque eles têm poderosos documentos. Isto também porque eles são perigosos, e por isto que o recente movimento de artistas tentam recuperar a importância dessa cartografia”.A psicogeografia, então, funcionaria no preenchimento destes detalhes que não são vistos nos mapas oficiais: o cotidiano como ele realmente é, a vida urbana, das pessoas que moram naquele lugar, ou seja, conhecer e enxergar o lugar através destes artistas, isto seria possível.
Os projetos analisados e que nos ajudam a compreender a psicogeografia são: Every Bus Stop (sistema de transporte público, chamado Surrey, em crecimento num subúrbio de Vancouver). Contém 1800 imagens que foram tiradas pelos artistas para cada ponto de ônibus.

O Townsend Retraced, retrata um falido plano de 1970, em Ontário, Canadá) . O mapa identifica edifícios e lugares de interesse histórico que existiam em 1976 (arquivadas antes de ser modificado ou quando nivelados começou a construção da cidade) e era utilizado como uma referência para Stephan Rose da fotografia documentos, Hillary Martin’s audio obras Laura Cunningham e da recolha de respectiva documentação, materiais, artigos museu e objetos.
A idéia deste projeto é ajudar a transmitir a história da utopia que, preenchendo as espaços vazios entre as zonas rurais com fragmentos de áudio,e figuras (passados e presentes) que demonstram o quanto é perdido numa visão oficial.

One Black Radius, um documentário psicogeografado de uma determinada área de Mahatan, Nova York. Tentam preservar a diversidade urbana e a história daquela localidade, o que poderia desaparecer facilmente, diz o artigo. A arquitetura cívica tendem a evitar a marginalidade, e podem ser remapeados atraves da arte, literatura, entre outras manifestações.

A proposta destes projetos é desafiar a veracidade destes mapas, ao mesmo tempo que tentam preencher esta lacuna. A fronteira entre projetos de arte digital e dos meios convencioanis, aborda o artigo, está na arquitetura da Web, na capacidade de armazenamento (leia-se base de dados) o que possibilita mais organização da informação cartografada. Vale retoamar neste ponto, a afirmação do teórico russo Lev Manovich, no seu livro “The lenguage of the new media“, de 2001, de que as bases de dados se constituem como forma simbólica cultural da sociedade contemporânea, na qual se pode produzir uma diversidade de narrativas. As bases de dados estão no centro do processo criativo”, diz Manovich.

Estes projetos nos convida a repensar a idéia de concepção dos mapas, não tanto pela rigidez de execução, simetria e sincronismo, mas pelos novos usos, novas funções que vem sendo exploradas na Web. A diferença desta psicogeografia, além das já citadas acima, é que estes artistas confere-lhes um novo sentido de lugar, não que antes fosse impossível de fazê-lo, mas que a combinação de talento dos artistas + funcionalidade da Web, projetam novos olhares, olhares diferenciados que muitas vezes passam despercebidos por nós, lugares invisíveis, eu diria. A psicogeografia traduz as aspirações de praticar novas narrativas urbanas, bem diferente das informações institucionalizadas, plastificadas que nos é impostas.

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