Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Cartografia Fantástica dos Games

Cartografia escolar e cartografia dos games.

por Eugênio Pacceli da Fonseca (julho, setembro, novembro 2011)

Taí um tema para o qual a academia ainda não deu a devida atenção. Até dou uma dica: por que não monografias e teses de mestrado sobre “A Cartografia dos Games”?

Tenho para mim que a cartografia dos contos fantásticos e dos jogos de computadores podem servir para atrair os alunos para os nossos temas.

Os apreciadores desses jogos, normalmente muito jovens, chamam de mapas a duas coisas diferentes.

Há os “mapas” de áreas restritas – o próprio cenário do jogo, que pode ser o interior de um grande galpão ou de uma casa e há os mapas das áreas grandes, que incluem os cenários citados. Os primeiros não são verdadeiramente mapas, são como o próprio espaço real, não uma representação dele. Os mapas mais genéricos, esses sim, são representações em escala reduzida e simplificada do espaço “real”. “Clicando” em partes desses mapas os jogadores são remetidos ao cenário do jogo. Esses mapas mais genéricos, muito fantasiosos, geralmente seguem certas convenções contidas nos mapas verdadeiros. Hoje é mais fácil entender isso usando o Google Mapas. Quando abrimos o Google Mapas aparece normalmente o mapa mundi ou o mapa do continente em que vivemos. Clicando sobre um ponto escolhido aparece o mapa ou a imagem de satélite daquele ponto em escala maior. Clicando novamente, a escala aumenta e gradualmente vai se chegando a um mapa (ou imagem) em escala bem grande. Quando chegamos na maior aproximação possível, se clicarmos novamente (em áreas mais populosas) passamos do mapa para a imagem real do lugar (do Google Mapas para o Google Street View). São esses os dois significados de mapas para jogadores de Video Games: mapa como  representação reduzida do espaço onde o jogo se desenrola (quando o jogador está nele, normalmente está analisando o que fazer, escolhendo onde se “materializará”, etc) e mapa como o próprio cenário de um jogo (quando se está nele é melhor você se proteger, por que está prestes a levar um tiro!)

Veja o mapa abaixo, por exemplo, da série de livro das “Quatro Terras”. Ele mesmo informa pelas “Terras do Norte”, “Terras do Oeste”, “Terras do Leste” e “Terras do Sul” que o mapa segue algumas convenções.

Nada nos impede de utilizar um mapa assim muito popular entre os jovens para ensinar e treinar orientação, rumos, localizações relativas e absolutas.

Disse alhures que devemos incentivar a criatividade e a fantasia dos alunos ao mesmo tempo que incentivamos interpretação e o uso das convenções cartográficas, portanto…

Muitos jogos permitem e incentivam que os jogadores criem seus próprios cenários e para aqueles que o fazem as noções de orientação, direção, rumos, norte, sul, etc são essenciais. Podemos pegar por ai…

Vejamos algumas descrições da área mapeada acima:

 “As Quatro Terras é o mundo ficcional onde a  série Terry Brooks Shannara se desenrola. A Gênese da trilogia Shannara revela  que Quatro Terras está localizaao na moderna região Noroeste do Pacífico dos Estados Unidos e Canadá. Grande parte da paisagem foi alterada de um holocausto futuro, mas alguns pontos permanecem. Por exemplo, o rio Columbia ainda está fluindo, embora já não flui diretamente para o Oceano Pacífico e foi renomeada como o Rio da Prata.

Habitantes

O Northland características do terreno muito rochoso e montanhas, com pântanos e desertos. Ao mesmo tempo, a área mais importante do Northland é o Reino do crânio – no coração do que era Montanha da Caveira, a base de operações para o Senhor Warlock. Depois de sua derrota nas mãos de Shea Ohmsford, o Reino do crânio caiu em ruínas e decadência.

O Northland é delimitada pelo Southland, o Westland pelo Plains Streleheim eo Eastland pelas Montanhas crematórios e Pass Jannison.

O Southland é habitada majoritariamente por homens. Foi muito dividida com o maior país sendo a fronteira entre Callahorn até que a Federação assumiu o Southland após a passagem dos druidas… “.

Como se vê, há vasta literatura explicando os mapas.

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A cada dia que passa novos sites sobre mapas para games surgem em quantidade. Vejamos alguns exemplos.

Assim se expressam as meninas através do site guriasnerds (http://www.guriasnerds.com/cartografia-porque-mapas-fazem-parte-da-sua-vida/):

“Mapas e a Cultura Pop?

Ok, mas o que e onde estão os mapas na cultura pop (ou Nerd)?
Se você é fã de Senhor dos Anéis ou curte literatura já deve ter visto os mapas da terra média feito por J. R. Tolkien. Hoje os mapas fazem parte da literatura e inclusive muitos autores procuram a ajuda de um cartógrafo ou exercitam sua paixão por mapas, criando o seu mundo. Nos cinemas, também temos os mapas sci fi de Star Trek com toda a confederação e em séries já adaptados os mapas de Game of Thrones até mesmo em sua abertura. Em games, eles fazem parte tão fortemente que um bom concept requer um cartógrafo para elaboração mais realista dos mapas. Em RPG essa arte vem desde as adaptações medievais em D&D e quem quer criar seu próprio jogo, não deixa de fazer um bom estudo sobre o assunto.  Confira aqui algumas dessas maravilhas.”

http://www.coletivocult.com/cartografia-porque-mapas-fazem-parte-da-sua-vida/

Abaixo três mapas postados lá:

Harry Potter Game

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Mapa da Terra Média (veja o site que analisa em detalhes a Terra Média: http://aleciapina.wordpress.com/)

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]Dungeons Dragons

No site citado acima de um admirador da “Terra Média” do Senhor dos anéis, acha-se o mapa abaixo que traz até um perfil topográfico clique e vejam com mais detalhes (e vejam se não há acessoria de um bom cartógrafo):

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O site citado abaixo também trata do tema . Apesar de judiarem bastante por lá do idioma (mais do que eu faço por aqui) ele atrai numerosos aficionados. Nele reconhecem os mapas dos games como “Cartografia pura”. Vejam que a grande preocupação deles é a prática: “…traçar caminhos mais rápidos para seu destino…”

http://emulaziro.blogspot.com/

“E o que falar dos mapas de jogos? Cartografia pura, até o terrível GTA te ensinara interpretar mapas para traçar caminhos mais rápidos para seu destino. E aqueles jogos que você pode editar o mapa ?, um misturão de arquiteto com noção de grandeza assim como cartografia e curvas de nível.”

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Alguns jogos são realistas. É o caso de jogos de estratégia com temática histórica.

O mapa abaixo, do jogo “Roma Total War”, mostra uma grande área do mundo real.  Deveria ter escala pequena, mas os navios e outros elementos, em escalas completamente diferentes (muito grandes) bagunçam tudo. Contudo, ele continua útil para que os alunos entrem em contatos com mapas. Notem que parte do Mar Mediterrâneo é o foco. Aparecem a foz do Nilo, o Mar Morto, a atual Turquia, parte da Grécia e o Mar Negro. A orientação para o norte é convencional e permite que os deslocamentos das tropas e esquadras sejam feitos pensando, “levarei as legiões para o norte…” e assim por diante.

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.    Do mapa acima podemos pedir ao aluno: que identifique a área mapeada; que localize o Mar Morto e a foz do rio Nilo; que localize a ilha de Chipre e o Estreito de Bósforo, assim como o Mar Negro, etc.

Abaixo, do mesmo jogo, parte da península Itálica e da Sicília:

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Do mapa acima podemos pedir ao aluno: qual é o nome do grande vulcão na Sicilia? Aliás essa ilha foi localizada? E a cidade de Roma? Qual dos mares é o Adriático? E o Tirreno?

Claro que como já disse, a questão da escala pode desanimar um professor mais exigente, mas se a exigência for muito grande nem mesmo os mapas das crianças (criação delas) serão usados e não é isso que 0s especialistas propagam.

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Abaixo um “mapa” (é mais uma imagem aérea) do jogo “Civilization V”, com tropas em conflito, um rio, manchas de florestas, afloramentos rochosos e outros elementos que podem ser levantados pelos próprios alunos. Novamente a escala fica como o ponto fraco.

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Novamente o “Civilization V” com tropas se deslocando (seguindo qual direção?). Notem o mapa de escala muito menor, que contem o mapa maior, no canto inferior direito.

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O mapa abaixo é completamente “imaginoso”, mas da mesma forma pode ser interpretado: deserto a nordeste; geleiras a noroeste; um mar a sudoeste; nesse mar uma ilha vulcânica, etc.

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Abaixo o mapa fantasia criado por Russel Pinkeston e uma manifestação sua sobre ele:

“Estou ocupado agora criando um esboço para uma série de romances de fantasia, ambientado em um futuro distante, após a civilização moderna ter se desintegrada e esquecida. É tudo muito hush-hush por isso não posso dizer muito sobre isso ainda. No entanto, posso dar-lhe esse exemplo de grande beleza que eu passei algumas horas elaborando. Veja algo do mundo de fantasia que estou criando, virei-me para a antiga arte da cartografia (com a ajuda do Photoshop). Eis aqui um objeto muito próximo e querido do meu coração … o mapa de Onin.” (clique para ampliar – é muito bonito).
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Leiam com atenção o que o criador do mapa acima escreveu sobre a cartografia para RPG

Cartógrafos e seus mapas

Todo bom cenário de RPG tem que ter um mapa à altura! E essa é uma tarefa para os Cartógrafos.

Cartografia é a arte de traças mapas, uma ciência complexa e cheia de regras. Os cartógrafos RPGisticos não precisam de tanto, mas talento e paciencia… ah! isso ambos tem que ter bastante.

Criar mapas para cenários de RPG mostrou-se uma diversão pra mim muito maior do que pensei! Tudo que sei sobre essa arte devo a esse site aqui, o Cartographers Guild – em inglês – É um paraíso para aqueles que querem aprender essa arte.

Quando cheguei a Guild eu já havia desenvolvido o mapa do Tagmar 2 (imagem abaixo) em Corel Draw, coisa que me arrependo até hoje… Agora uso o Photoshop e dá pra produzir trabalhos com qualidade bem superior. Atualmente não estou fazendo nenhum mapa… Se alguém quiser um entra em contato, é de grátis! Afinal sou um amador – rsrs

Há toda uma “escola de cartografia” especializada em mapas para games. O site citado acima é de grande interesse para os seus apreciadores: Cartographers Guild – vale a pena conferir. Nele podemos ver numerosos mapas criados para diversos jogos. Muitos deles além de muito bonitos e bem acabados, servem para que o professor de Geografia aproveite o interesse que eles causam sobre os jovens para levá-los a aprofundar nos estudos cartográficos. Mostro alguns desses mapas abaixo.

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Veja que o que os jogadores chamam de “mapa” pode ser um mapa mesmo, um cenário de ação ou uma imagem aérea, como  é o caso acima.

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No mapa abaixo as convenções sobre as cores de um mapa físico são seguidas:

Uma resposta to “Cartografia Fantástica dos Games”

  1. Verdade, esses mapinhas de video games chamam muito a atenção, digo isso por experiência própria, quando miúdo eu era viciado em Legend of Zelda A Link to the Past, nele tinha um mapinha da cidade de Hyrule que dava muita vontade de explorar em cada detalhe!

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