Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Cartografia – mapas e arte

Junho Julho Agosto Outubro Dezembro 2011; março e abril de 2012; abril e maio 2013 e renovado de vez em quando... Eugênio Pacceli da Fonseca

De Verónica Barranco:

“Verónica Barranco escolheu “Mapas”, poema de autoria própria. Verónica, que é espanhola, disse que o texto é uma declaração de amor ao Brasil – onde ela já está há dois anos e meio. Verónica disse que os brasileiros, depois de um tempo, são mais parecidos com ela do que sua expectativa supunha. Verónica é feliz aqui.”

                         CARTOGRAFISMOS

Cartografia Escolar – Cartografia e Arte – professores de Geografia e de Educação Artística trabalhando juntos.

   .       .       . 

Tentando aproximar os dois importantíssimos  frutos do engenho humano, leiamos o texto abaixo sobre a  convergência entre Cartografia e Arte:

“Arte e Cartografia – Cartografia e Arte”

“Mapas contam histórias do mundo. Mais precisamente, eles descrevem e representam o espaço que nos rodeia.

Tanto quanto a levantamentos topográficos, os mapas também se referem aos contextos político, histórico e social de seu tempo.

Jorge Luis Borges em ” Del Rigor de la Ciencia” e Umberto Eco em “sobre a impossibilidade de desenhar um mapa do Império em uma escala de 1 para 1” descrevem a futilidade de se criar um mapa do mundo na mesma escala – a tentativa é prova de que não há tal coisa como um verdadeiro mapa. E quando aceitamos o fato de que todos os mapas, necessariamente, omitem ou distorcem partes da realidade, podemos ver que a diferença entre cartografia científica e artística termina.

Considerando que a tentativa científica para descrever o mundo faz uma afirmação normativa por meio de sistemas racionais como longitude e latitude; métodos artísticos, por sua vez, usam abordagens opostas ao desafiar ou ignorar essas coordenadas.

Além de racionalizar e medir o espaço que nos rodeia, mapeamentos artísticos tendem a refletir os seus métodos de representação e as condições (em que foram feitas.).Eles podem até tomar a liberdade de mudar pontos de referência aos motivos inesperados. Mas mesmo se os artistas parecem ter mais liberdade, as suas estratégias de mapas interpretação são frequentemente muito semelhantes aos dos cartógrafos.

Reconhecendo a discrepância entre os mapas e os territórios abre-se espaço para interpretação e permite-se diferentes graus de precisão de representação. De fato, mapas artísticos podem captar questões que cartógrafos  e seus mapas”científicos” nunca descreverão. Isto é o que faz dos mapas produtos tão intrigante: eles comunicam diferentes visões do nosso mundo e nos ajudam a entender sua complexidade.”

http://www.akbild.ac.at/portal_en/academyen/current/events_en/exhibitions/2008/zoomandscale?set_language=en&cl=en

De minha parte, digo humildemente, que a Cartografia reflete as preocupações do homem com o espaço que o cerca – tanto o espaço próximo quanto o espaço distante. Preocupações essas concretas e objetivas, ligadas por exemplo, à segurança e à administração. Sua intenção é o conhecimento e o controle. O artista que trabalha com mapas também tem preocupações com o espaço. Preocupações essas, contudo, mais ligadas à subjetividade e a imponderabilidade dos significados que o espaço pode adquirir na vida das pessoas comuns. Preocupa-se ainda com os significados que os próprios mapas adquirem e com a linguagem cartográfica que está quase sempre subvertendo. Ele sempre acrescenta diferenciações em seus trabalhos cartográficos que exigem outras leituras, além da técnica, que por sua vez, sempre precisarão utilizar outros instrumentos e habilidades além dos técnicos: sensibilidade para perceber a beleza estética, tirocínio para perceber uma crítica social, uma denúncia, uma ironia, um escárnio ou uma homenagem e assim por diante.

Partindo, sem mais delongas, para exemplos de belíssimos frutos da conjunção mapa-arte,  reproduzo agora, logo abaixo, o  texto citado acima, de um dos maiores escritores que já existiu, Jorge Luis Borges (quem tem amor aos mapas, atlas e às artes cartográficas, obrigatoriamente tem que ler o grande Borges):

“Do Rigor da Ciência”

 ” Naquele império, a arte da cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma só província ocupava toda uma cidade, e o mapa do império, toda uma província. Com o tempo, esses mapas desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um mapa do império que tinha o tamanho do Império e coincidia ponto por ponto com ele. Menos apegadas ao estudo da cartografia, as gerações seguintes entenderam que esse extenso mapa era inútil e não sem impiedade o entregaram às inclemências do sol e dos invernos. Nos desertos do oeste subsistem despedaçadas ruínas do mapa, habitadas por animais e por mendigos. Em todo o país não resta outra relíquia das disciplinas geográficas”.

[Suárez Miranda: Viagens de Varões Prudentes, livro quarto, cap. XIV, Lérida, 1658. Fragmento selecionado por Jorge Luis Borges, “Do Rigor na Ciência”, in “História Universal da Infâmia”, tradução Flávio José Cardozo, Porto Alegre, Globo, 1978]

Na voz do próprio Borges (muito emocionante – imperdível): http://www.youtube.com/watch?v=zwDA3GmcwJU

Podemos, diante desse texto perguntar a nós mesmos e aos alunos: o que seria atingir a perfeição na cartografia? O que os cartógrafos daquele império consideravam perfeição? Por que o mapa 1:1 de um império não tem utilidade prática? A ciência deve buscar a praticidade? O fim da grandiosíssima obra dos cartógrafos imperiais foi a destruição. Que outro fim poderia ser dado a ele? (lembre seu aluno que muitos impérios se foram e só sabemos da existência de alguns deles pelas obras que deixaram…)

Vejam outros exemplos abaixo (sem querer rebaixar o debate e nem apelar para estereótipos, leiam sem preconceitos):

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. Olha a simplicidade aí acima. Claro que não se trata de arte erudita altamente refinada, mas, Itália e massas: tem ou não tem tudo a ver?!

Continuando minha reflexão iniciada acima considero de suma importância que se trabalhe também os mapas artísticos em sala de aula, pois, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte…” Ou, em termos práticos, a arte nos ajuda a enxergar a vida com outros olhos. No caso da cartografia, a arte cartográfica nos ajuda a enxergar o espaço utilizando parâmetros completamente distintos daqueles utilizados na interpretação de um mapa tecnicamente perfeito. Veja o singelo mapa da Itália acima. Não é a precisão da representação do terreno que está em causa nele. Ao analisar um mapa da Itália realizado com as mais avançadas técnicas de cartografia, enxergaremos o país ali. Localizaremos as cidades e perceberemos a variação do relevo. No mapinha acima, feito com variados tipos de macarrão, também vemos a Itália nele representado. Vemos toda uma tradição. Toda aquela parte da história de um povo que também o faz reconhecido em qualquer lugar do mundo. Vejam o mapa de Minas Gerais lá embaixo (obra da artista Maya Li) apesar de inserido em um atlas, é justamente o que falta naquela página que nos diz da realidade mais profunda sobre o estado das muitas minas. Nada mais contundente, nada mais gritante e olha a linguagem: grita na ausência do próprio mapa. É um “mapa-não-mapa” que grita, denuncia, mostra sem mostrar, prende a atenção e nos faz admirar. O que se pode esperar mais de um mapa e de uma obra de arte?!

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Por falar em ausência, clique aqui e veja um “mapa sem noção” de maravilhoso que é  (comento depois): http://xn--slarsteinn-gbb.com/

Abaixo interpretações pessoalíssimas. O artista busca fugir da camisa de força de muitas das convenções cartográficas.

A obra acima (clique) é Fukushima Map (é de antes da catastrofe) da série cartográfica do artista Sabine Réthoré.

Assim ele se expressa sobre seus mapas:

“Para um artista, desenhar um mapa implica a aceitação de aprisionamento dentro de parâmetros tirânicos; até o movimento de uma linha está em causa. Após vários anos passados desenhando linhas que tinham significados bem definidos  sente-se um desejo incontrolável de se libertar dessa restrição.

O que é uma fronteira? Uma linha. O que é um nível? Uma linha. Um caminho? Uma linha. Sou um traçador de linhas. Reproduzir “linhas da costa” ou os contornos de ilhas, tem sido para mim uma experiência extraordinária. Tenho traçado linhas que eu nunca poderia ter imaginado.”

É dele ainda o mapa de Jerusalém abaixo:

Veja mais em: http://www.sabine-rethore.net/engl/artistic%20maps/artisticmaps20.html

O artista  faz, inclusive, globos artísticos interessantíssimos. O globo abaixo, no site do artista, é acompanhado pelo seguinte texto:

“Somos criados por mães amorosas. Pregam-nos firmemente ao solo, onde permanecemos, incapazes de tomar vôo. Elas alimentam-nos e nós as alimentamos. Em francês as palavras para se alimentar (nourrir) e infantil (nourrisson) têm a mesma origem.

Este mundo é feito para o prazer dos olhos. Eu queria criar um objeto que daria uma idéia do que um astronauta possa sentir após uma viagem de alguns meses sem gravidade, sem sorvete de morango, sem carícias, sexo ou descendentes.”

A Antártida, para se ter uma ideia, tem um mamilo…

http://www.sabine-rethore.net/engl/terrestrial%20globes/contemporaryterr.html

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A produtividade desse artista é tão grande que lá embaixo, postei mais obras dele. São realmente fantásticas.

.Olhem agora  um erro que cometi que depois concertei (e que citei em outra página desse blog):

.Lindo demais este mapa-obra-de arte em vinho

.

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Veja como são as coisas, o mapa de Bagdá acima “não é um lindo mapa em vinho” é sim um protesto contra os bombardeios realizados pelos EUA. Nada como a ignorância e os tons errados para nos jogar no maior buraco. Não é cor de vinho, não, é sangue mesmo. Veja na cor certa  abaixo:

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Leia e se informe:

“Estas imagens são de  Elin O’hara Slavick . Faz parte de uma séries de desenho de 1998-2005, na qual faz um protesto Cartográfico dos lugares que os Estados Unidos bombardearam. Mais informações e desenhos podem ser encontrados no projeto de  website . Os desenhos foram compilados em um livro  bomba após bomba: A Cartografia violenta , que foi lançado pela  Charta , em 2007 e contém ensaios teóricos de um antropólogo, de um historiador e de um artista”

A coleção é forte. Vale a pena conferir.

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Esses dois abaixo são mais leves. São também muito lindos  e “exatos” os mapas da Cartografia Radical do Rankin (clique para ver maior ainda):

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. Esse abaixo é um fragmento do mapa mundi da artista Paula Scher. Nosso Fragmento: A América do Sul

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. Olhem essa  obra da arte pop dos anos 1960: Em que o mapa dos EUA se transformou nas mãos de Jasper Johnss!!!

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.  Como não poderia deixar de ser temos mais acesso à produção dos estadunidenses. Há uma série de mapas feitos só com palavras. É um desafio fazer um parecido. Aí em baixo vai um com os nomes dos estados desenhando os próprios estados. Para variar o Hawai está um tanto deslocado… (e eu sou um cara burro mesmo, vi escrito abaixo Ala Ska e achei que fosse assinatura do autor e na verdade e o mapa do estado do Alaska, também um tanto quanto deslocado… O interessante que ele busca guardar no nome o formato dos estados…) . Fragmento de mapa de Washington (DC) que também só utiliza palavras e cores…

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.Aqui, mapa de Londres em palavras:

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. Abaixo um  fragmento do impressionante mapa chamado “The Island”  do britânico Stephen Walter:

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. O mapa inteiro é gigantesco, querendo vê-lo é clicar no endereço: http://www.bl.uk/magnificentmaps/map4.html

.Do mesmo artista o mapa detalhado de Liverpool: http://www.stephenwalter.co.uk/wp/maps/stephen-walters-map-of-liverpool/

http://www.stephenwalter.co.uk/wp/maps/

. Um mapa mundi bonito e que usa técnica mais simples. Tinta a base de água.

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. O de baixo é uma boa crítica ao consumismo e à volumosa produção de lixo. O Brasil está no mesmo caminho… A legenda dele era “arte não é apenas uma imagem bonita”. O mesmo digo para os mapas . Interessante ler o mapa de cima e depois o de baixo.Tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes! No mapa abaixo há um otimismo ausente no mapa de cima. Até nos sites originais isso era evidente: um que mostra a necessidade da crítica(site sobre educação artística que ensina como fazer um mapa assim.  Que tal aceitarmos o desafio?: http://www.kid-at-art.com/htdoc/lesson1.html),  o outro um site otimista do tipo “faça você mesmo” (http://www.inhabitots.com/diy-project-make-a-map-of-the-usa-with-old-cereal-boxes/)

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. Leiam o texto que acompanha o mapa acima: ” A caixa de seu cereal matinal preferido pode ser rasgada  e acabar em uma floresta de resíduos de papelão, mas não tenha medo – as caixas coloridas também podem sofrer um desvio artístico  em um dia chuvoso. Para o Concurso de Design da Primavera da  InhabitatGreening, Chris e sua esposa Kaasman reuniram em  um mapa dos Estados Unidos as  caixas vazias de seus lanches matinais. Em seguida, montaram a sua obra em uma parede para que todos possam admirar. Quem diz que a geografia não pode ser divertida?”

Ingênuo e otimista, ou não?

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. Essa obra abaixo já comentei (na página “Mapa do Tesouro” e aqui mesmo, mais acima), mas não me deu sossego: “Minas é um buraco!”, foi o nome que dei a ela. Perturbadora, forte e portadora de certa verdade:

.Já disse na página “Mapa do Tesouro”, que lendo o site onde encontrei a obra da artista Maya Lin, percebi que quem postou a fotografia da peça acima não comentou nada a respeito da tradição mineradora de Minas Gerais. Só havia um comentário artístico da peça. Uma pena. Para nós mineiros e brasileiros em geral ela fala  (e dói) ao fundo da alma. .

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Mostremos o mapa abaixo aos alunos da 7ª série (oitavo ano) e veremos o que nos dizem dele: (questões a levantar: cores das veias e artérias; coração no litoral leste; tradução da mensagem política abaixo; patriotismo, etc) Sem dúvida é uma bela peça publicitária que os democratas utilizaram para tentar convencer a população da necessidade de reformar o sistema de saúde dos EUA. Aproveita e adapta de forma muito inteligente uma afirmação de um dos pais da nação (Thomas Jefferson).

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.Abaixo: Gerônimo, o grande líder indígena da América do Norte nas ruas da cidade…

Maravilhosa homenagem do artista Matthew Cusick ao líder apache que lutou contra as arbitrariedade do governo estadunidense no trato com o povo de “pele vermelha.”

Essa obra  me lembrou a música do “Clube da Esquina”, cantada pelo Milton Nascimento- “Ruas da Cidade”. Nela os artistas cantam as tribos indígenas que viviam no Brasil e que foram arrancados de suas terras (e mortos) para o avanço do “civilizado”, que para “homenageá-los” (caso aqui  de Belo Horizonte) nomeou as ruas do centro da cidade com o nome delas: Rua Tamoios, Rua Aimorés, Rua Tupinambás, Rua dos Caetés, Rua Guajajaras, etc…

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A letra da música:

. Ruas da Cidade  (Lô Borges e Márcio Borges)

Tupinambás Aimorés

Todos no chão

Guajajaras Tamoios Tapuias

Todos Timbiras Tupis

Todos no chão

A parede das ruas

Não devolveu

Os abismos que se rolou

Horizonte perdido no meio da selva

Cresceu o arraial

Passa bonde passa boiada

Passa trator, avião

Ruas e reis

Guajajaras Tamoios Tapuias

Tupinambás Aimorés

Todos no chão

A cidade plantou no coração

Tantos nomes de quem morreu

Horizonte perdido no meio da selva

Cresceu o arraial.

.,;

Escutem a música no endereço:           http://www.youtube.com/watch?v=SiJftqafjfc

Olhem a imponência do trabalho inteiro:

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Nas palavras do próprio artistas, citadas em http://nutsideias.wordpress.com/2011/03/18/o-mapa-da-arte-ou-a-arte-do-mapa/, vejam se fiz ou não uma interpretação correta:

“Os mapas têm desempenhado um papel importante no meu trabalho desde 2001″, disse Cusick. ”Comecei a usá-los como um substituto para a pintura, e a partir daí encontrei uma maneira de iluminar a história sociopolítica do meu assunto. Achei que com os mapas eu pudesse criar mosaicos conceituais que fundissem a mitologia  integrada com o seu território, fazendo relíquias autênticas de suas próprias linha do tempo. Além disso, assim como uma fotografia antiga, um mapa visual abre um portal para o passado, preservando a manifestação da existência. ”

Pelas ruas da cidade de Belo Horizonte quantos “guajajaras e aimorés” passam hoje? Essa é um tipo de reflexão que pode ser feita em todas as localidades e muitos mapas artísticos podem nascer dela.

.Outra obra do mesmo artista (o muito bonito “mar em fúria”, lá embaixo, é dele também):

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Olha a Utopia aí (um belíssimo mapa da terra mais buscada dentre todas, aquela onde os sonhos se realizam…):

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.Inspiração para o trabalho Geografia + Artes:

Nesse site ( http://timwallace.wordpress.com/2011/02/10/bogus-art-maps/) há obras que representam mapas desenhados com técnicas que imitam a de grandes artistas.

No caso imediatamente abaixo o artista inspirador é Mondrian. . Agora o mapa dos EUA inspirado em Malevich: . Agora, Braque:

.                                                                                                                                         Inspirado no estilo de Jackson Pollock

.

Inspirado no estilo de Franz Kline

.

                                                                                                                                                     Inspirado no estilo de Cy Twombly

São palavras do autor sobre os mapas acima: “…esses mapas artísticos não devem ser levados a sério como produtos cartográficos, nem considero eles “obras de arte.” Em vez disso, eu os apresento como uma experiência em cartografia moderna. Com estes mapas, tentei questionar as noções de que algumas pessoas “não podem fazer mapas” e que os mapas devem ser “precisos” ou “ter escalas exatas.”  Embora alguns desses mapas tenham projeções, sua natureza impede que qualquer métrica para ” precisão “ou” escala “. Eles são visualizações cartográficas que confiam menos em GIScience e mais sobre a arte. Tenho também esperança de que talvez esses mapas desmascararem a noção de que as pessoas não são na sua maioria artistas e cartógrafos. Não concordo com essa idéia porque eu acredito que todos nós podemos contribuir com nossas sensibilidades artísticas e cartográficas para melhorar a nossa compreensão coletiva de nosso mundo circundante.”

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Bonito trabalho (em meio a muitos tão bonitos quanto, para venda) no site http://www.handmademaps.com/Gallery/Educational.html . Um amante de Providence (EUA) fez uma coleção de mapas à mão. Eis um exemplo: .

.O mapa no site abaixo de Liverpool (RU)”é muito doido” e detalhado. http://www.stephenwalter.co.uk/projects.php .

Um dos mais prolíficos artista dos mapas é Michael Tompsett. Pode-se apreciar (e comprar) muitos de seus trabalhos pela internet. Vamos ver alguns.

Apreciem, por exemplo, Londres em Vermelho:

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Aqui, do mesmo Tompsett, um mapa mundi abstrato:

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Abaixo, dele ainda, belíssimos mapas mundi desenhados com luzes:

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Abaixo uma coisa curiosíssima. Um amante da antiga série de TV realizada nos EUA “O Fugitivo” mapeou todos os locais por onde o Dr. Kimble passou em sua fuga da polícia, que além de fuga era também o busca pelo assassino “sem braço” de sua esposa. Ao mesmo tempo é meu sonho. Não que eu seja fanático pela  mesma série. Digo isso porque sempre peço aos meus alunos que procurem localizar em mapas todos os lugares -cidades, províncias, países, rios e montanhas – que eles vêem nos filmes…

Pena que não se vê muito bem. Diz o blogueiro que ele estava exposto em um dos prédios da Microsoft.

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. O mundo é ou não é um mar em fúria?!  Belíssimo (também do artista norte-americano Matthew Cusick)

...

. Sempre gostei dos “mapas” da The New Yorker.

O poder de síntese e de crítica dos mapas dos ilustradores da revista, principalmente do também cartunista Steinberg é incrível. Estou tentando imitar (mui modestamente, é verdade) com uma “Visão do Mundo de Um Mineiro que subiu a Serra”.

Dependendo de como ficar,posto aqui depois. Bem longe dessas obras de arte.

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Visão de Nova Iorque: Interessante a visão dos residentes na costa leste (muito criticada pelos republicanos que sempre dizem que é assim que os democratas vêem o mundo). O Centro oeste se resume a uma planície pontuada por alguns acidentes e até Chicago está longe demais.

.Interessante ainda que é o rio Hudson a separar os dois Estados Unidos. Lá longe: Japão, Rússia e China…

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. Visão dos políticos (de Washington):

Novamente a metade Oeste se resume em poucas coisas: o famoso arco de Saint Louis, as rochosas e outras elevações, o que parece ser uma rachadura, talvez a falha de Santo André e uma seta para longinquos lugares…

Lá na Ásia os principais destinos das férias, das missões comerciais. É uma cartografia de estereótipos.

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. Costa leste dos EUA sob as águas:

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.Visão chinesa da economia global, notem o papel de fornecedor de matérias primas da América Latina e da África:

Por falar em “quase mapas”  é de espantar a leveza e sensibilidade da artista Marisa Seguin ao mapear importantes cidades do mundo:

PARIS:

Paris

.

VENEZA:

Venice

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VANCOUVER:

Vancouver

Veja mais em: http://marisaseguin.com/vancouver.html

Também homenageando cidades, os mapas artísticos abaixo as tratam com cuidado e beleza. São dos artistas Tony e Katie e podem ser vistos (e comprados) no site http://cityprintsmapart.com/the-world/

PARIS:

.

VENEZA:

.

VANCOUVER:

Alunos mais avançados podem procurar similitudes entre os mapas acima com os “quase mapas” anteriores. Quais elementos do espaço aparecem nas duas representações das mesmas cidades. Nos mapas acima, dos artistas Tony e Katie, as cores das bandeiras nacionais e das cidades são usadas nas representações.

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Abaixo belíssimos trabalhos de Aquil Copier, baseados em imagens aéreas tão caras à Cartografia: http://www.aquilcopier.nl/paintings1.htm

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. .Clique abaixo para ver detalhes do trabalho: .

. Abaixo vista aérea de um campo a ser colhido e detalhes do trabalho:

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. A peça abaixo é publicidade pura, mas ficou uma graça!

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E, querendo, você pode eliminar a parte publicitária:

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..

.’

. Abaixo, mais um mapa com palavras. No caso o mapa da cidade de São Francisco (EUA) feito com citações literárias a respeito dela, pelo artista, Ian Huebert . O site de onde saiu ( http://fictionwritersreview.com/blog/lit-map-your-city ) incita a que todos façamos mapas literários como esse de nossas cidades natal. É uma outra ideia interessante -recolho algumas citações da minha Belo Horizonte!

Nesse site o crítico cita, comentando a obra, o poder do triunvirato reunido nela:  mapa + citações literárias + uma escrita interessante…

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Gosto muito do tratamento acima, pois não se trata apenas de desenhar de forma artística as “linhas” vertebradoras de uma cidade, mas sim de saber de sua trajetória, de sua história, dos sentimentos de quem viveu e escreveu nas e de suas ruas, habitantes, praças, acontecimentos, alamedas…

Por falar em mapa e alta literatura, o que dizer do mapa perfeito à Lewis Carrol.

He had bought a large map representing the sea,

without the least vestige of land.

And the crew were much pleased when they found it to be

a map they could all understand.

“What’s the good of Mercator’s

North Poles and Equators,

Tropics, Zones, and Meridian Lines?”

so the Bellman would cry,

and the crew would reply:

“They are merely conventional signs!”

“Other maps are such shapes,

with their islands and capes!

But we’ve got our brave Captain to thank,”

(so the crew would protest)

“that he’s bought us the best –

a perfect and absolute blank!”

..

Eis o mapa perfeito:

Jose Barreda (in:http://www.geographos.com/BLOGRAPHOS/?p=312) escreveu sobre ele:

“O mapa que guiava a tripulação em busca do Snark era perfeito, representava o mar como nenhum outro e toda referência acessória, ou não, havia sido retirada dele, buscando: ordem e simplicidade. Para que tantos sinais convencionais que dificultan sua leitura e levam à confusão?”  O resultado é o mapa acima

..De Stanley Donwood

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Olha a impressionante obra cartográfica do artista Sabine Réthoré

Essa borda aparentemente cinza do mapa do EUA acima é na verdade nomes de estadunidenses que o artista homenageou… Querendo lê-los vá ao site do autor e confira (use a lupa da página):

http://www.sabine-rethore.net/engl/artistic%20maps/Mappings%202007-2010/newamericanmappo.html

Ainda não descobri o que ele quis com o mapa abaixo, vou tentar descobrir:

A internet não nos deixa na dúvida por muito tempo: “El bien germina ya” é um trecho do hino da Colômbia, que no mapa abaixo está na “cabeça” e as folhas e frutos do café confirmam a homenagem (além, é claro, da bandeira do país, que vi depois).

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. No site o mapa abaixo leva o sugestivo nome de Hades (a Terra é vista a partir do mundo subterrâneo, a partir do mundo dos mortos, ou Hades, ou seja do fundo da Terra)

..

”’

“…Topografia não revela favoritos;  o Norte está tão próximo quanto o oeste.

Mais delicadas que os historiadores são as cores dos cartógrafos.” (E. Bishop)

Para não deixar Elizabeth Bishop para traz, seu poema, THE MAP:

THE MAP

Land lies in water; it is shadowed green.

Shadows, or are they shallows, at its edges

showing the line of long sea-weeded ledges

where weeds hang to the simple blue from green.

Or does the land lean down to lift the sea from under,

drawing it unperturbed around itself?

Along the fine tan sandy shelf

is the land tugging at the sea from under?

The shadow of Newfoundland lies flat and still.

Labrador’s yellow, where the moony Eskimo

has oiled it. We can stroke these lovely bays,

under a glass as if they were expected to blossom,

or as if to provide a clean cage for invisible fish.

The names of seashore towns run out to sea,

the names of cities cross the neighboring mountains

-the printer here experiencing the same excitement

as when emotion too far exceeds its cause.

These peninsulas take the water between thumb and finger

like women feeling for the smoothness of yard-goods.

Mapped waters are more quiet than the land is,

lending the land their waves’ own conformation:

and Norway’s hare runs south in agitation,

profiles investigate the sea, where land is.

Are they assigned, or can the countries pick their colors?

-What suits the character or the native waters best.

Topography displays no favorites; North’s as near as West.

More delicate than the historians’ are the map-makers’ colors.

Elizabeth Bishop

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De um autor menos conhecido,   Wicked Mike :

                                    The Map

Today, I bought the world on a piece of paper

and took it for a walk

to the top

of the highest hill that I could see

With a ruler and care,

I separated Africa’s spending spree

and blinked geography goodbye

so that Indian fish

holidayed in the cold Atlantic

and the Reds surfed on North Shore

Atlantis neighboured the Taj Mahal

yet it all felt the same as before

I sent that aeroplane free

on the longest wind

and hoped that it would fly far enough

for God to find it and find his way back to me.

Wicked Mike

(“Hoje, eu comprei o mundo em um pedaço de papel

e levei-o para uma caminhada

ao topo

da colina mais alta que eu pudesse ver…)

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Quer participar de um jogo cartográfico literário? Vá ao endereço abaixo. Mas já vou avisando: é difícil. Das dez questões, só acertei quatro.

http://flavorwire.com/167647/literary-maps-take-our-imagined-cartography-quiz

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O escritor Franco Moretti, em seu livro “Atlas do Romance Europeu 1800 -1900”  considera a Geografia de maneira como um geógrafo versado em literatura também o faria, ou seja, como personagem importante tanto na história de vida do autor, quanto na história de sua obra e quanto ainda na obra em si.

Sobre o livro de Franco Moretti : Atlas do Romance Europeu 1800 -1900:

“Com elegância intelectual, Moretti nos convida a usar mapas não como soluções abrangentes, mas como geradores de idéias.”

Umberto Eco

“Atlas do romance europeu 1800-1900, de Franco Moretti, oferece ao leitor uma nova possibilidade de ler os fenômenos culturais sob a égide de diagramas e mapas.

Por meio de traçados originais, Moretti analisa o romance e suas relações internas, tornando visível a ligação entre geografia e literatura sob duas formas bastante distintas: a do espaço na literatura – o espaço ficcional – e a da literatura no espaço – o espaço histórico. Nessa sua “geografia literária”, o autor estabelece conexões fascinantes e lança um olhar completamente novo sobre a Europa do romance histórico, a Inglaterra de Jane Austen, a Paris de Balzac e Zola, a Londres de Dickens e Conan Doyle, a Espanha de Miguel de Cervantes.

Em diversos mapas, Moretti esclarece as conjeturas geográficas dos romances do século XIX e o alcance geográfico de autores e gêneros literários por todo o continente. Um mapa classifica e organiza alguns objetos que, diante da disposição, ganha nova inteligibilidade.

Moretti, com seu “atlas”, também apresenta esse traço investigativo. Nele, os mapas não têm apenas funções figurativas ou ornamentais, são ferramentas analíticas que nos permitem ver literatura de um modo totalmente novo e diferenciado. 

Para o autor, a geografia não é um recipiente inerte, nem uma caixa onde a história cultural ocorre, mas uma força ativa que penetra no campo literário e o harmoniza em profundidade. Nesse estudo, sugere que o espaço pode ser um protagonista oculto na história cultural. ”

@

Muito bonitas são também as peças de Marnie Karger, pena que ela, creio eu, por temer a pirataria, não mostra suas obras na internet em dimensões maiores. Não integralmente. São realmente muito bonitas e tem por base as infalíveis curvas de nível e uma delicadeza no degradê das cores. Confiram:

UM CAPÍTULO À PARTE: OS MAPAS TIPOGRÁFICOS

Bonitos e bons de fazer, os mapas tipográficos são abundantes na internet e alguns já foram postados aqui. Mas são tantos que eu acho que vale até uma página em separado, por isso estou criando uma. Vá lá conferir: https://cartografiaescolar.wordpress.com/mapas-tipograficos/

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Descendo da alta arte e literatura para a pura galhofa, há uma série de mapas interessantes, que revelam os preconceitos que vão arraigados nos povos. Trata-se dos mapas dos estereótipos. Há muitos deles na internet, e os esboços da New Yorker postados acima são exemplos de como as coisas andam. Andam daquele jeito e piores. Vejam:

http://alphadesigner.com/project-mapping-stereotypes.html

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Vejam mais desses mapas na página “Cartografia dos Estereótipos.”

https://cartografiaescolar.wordpress.com/cartografia-dos-estereotipos/

Não posso deixar de registrar esses belos poemas do Poeta brasileiro cantando em versos sua cidade adotiva e o mistério do conhecimento pelos mapas: como eles revelam e ao mesmo tempo escondem, ou melhor, estão ali para mostrar locais que às vezes só veremos através deles, criando ao mesmo tempo uma intimidade que não há e uma saudade de locais pelos quais não passamos.

O MAPA – Mario Quintana

O MAPA
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…
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OBSESSÃO DO MAR OCEANO

Vou andando feliz pelas ruas sem nome…

Que vento bom sopra do Mar Oceano!

Meu amor eu nem sei como se chama,

Nem sei se é muito longe o Mar Oceano…

Mas há vasos cobertos de conchinhas

Sobre as mesas… e moças na janelas

Com brincos e pulseiras de coral…

Búzios calçando portas… caravelas

Sonhando imóveis sobre velhos pianos…

Nisto,

Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,

E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,

De su’alma perdida e vaga na neblina…

Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!

Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,

Uma caixa de música

Uma bússola

Um mapa figurado

Uns poemas cheios de beleza única

De estarem inconclusos…

Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!

E eu nem sei, eu nem sei como te chamas…

Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,

Quando eu também já não tiver mais nome.

Mario Quintana – O Aprendiz de Feiticeiro

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O poeta Henry Reed não nos deixa iludir: vivemos nas casas e nas ruas das cidades, não nos mapas, porém, sua própria poesia nos remete aos sonhos, aos desejos e à imaginação quanto aos luagares, assim como os mapas podem fazer.
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“Pelas ruas em um mapa, meus pensamentos pairavam e passeavam”
“E tudo que eu pensei era inútil, eu aprendi:
Os mapas são do lugar e não do tempo, nada dizemda altura surpreendente e da cor de um edifício,”
(Henry Reed)
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A Map of Verona (Henry Reed)
Quelle belle heure, quels bons brasme rendront ces régions d’où messommeils et mes moindres mouvements?
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A map of Verona is open, the small strange city;
With its river running round and through, it is river-embraced,
And over this city for a whole long winter season,
Through streets on a map, my thoughts have hovered and paced.
.
Across the river there is a wandering suburb,
An unsolved smile on a now familiar mouth;
Some enchantments of earlier towns are about you:
Once I was drawn to Naples in the south.
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Naples I know now, street and hovel and garden,
The look of the islands from the avenue,
Capri and Ischia, like approaching drum-beats—
My youthful Naples, how I remember you!
.
You were an early chapter, a practice in sorrow,
Your shadows fell, but were only a token of pain,
A sketch in tenderness, lust, and sudden parting,
And I shall not need to trouble with you again.
.
But I remember, once your map lay open,
As now Verona’s under the still lamp-light.
I thought, are these the streets to walk in the mornings,
Are these the gardens to linger in at night?
.
And all was useless that I thought I learned:
Maps are of place, not time, nor can they say
The surprising height and colour of a building,
Nor where the groups of people bar the way.
.
It is strange to remember those thoughts and try to catch
The underground whispers of music beneath the years,
The forgotten conjectures, the clouded, forgotten vision,
Which only in vanishing phrases reappears.
.
Again, it is strange to lead a conversation
Round to a name, to a cautious questioning
Of travellers, who talk of Juliet’s tomb and fountains
And a shining smile of snowfall, late in Spring.
.
Their memories calm this winter of expectation,
Their talk restrains me, for I cannot flow
Like your impetuous river to embrace you;
Yet you are there, and one day I shall go.
.
The train will bring me perhaps in utter darkness
And drop me where you are blooming, unaware
That a stranger has entered your gates, and a new devotion
Is about to attend and haunt you everywhere.
.
The flutes are warm: in tomorrow’s cave the music
Trembles and forms inside the musician’s mind,
The lights begin, and the shifting crowds in the causeways
Are discerned through the dusk, and the rolling river behind.
.
And in what hour of beauty, in what good arms,
Shall I those regions and that city attain
From whence my dreams and slightest movements rise?
And what good Arms shall take them away again?

Henry Reed

..

“Eu tenho que admitir que eu ainda gosto dos mapas, tanto por sua ordem e detalhes, quanto pelo o que eles podem nos dizer sobre o mundo real. Um bom mapa não é apenas uma representação útil de um lugar. É também um belo sistema em si.” (Ken Jennings, um grande aficionado por mapas- autor de “Maphead”, imperdível para quem gosta dos mesmos)

”Olhar os mapas pode ser esclarecedor. Olhar para eles de ângulos novos pode ser ainda mais esclarecedor. Mas, se você quer libertar a sua mente de todas as idéias preconceituosas e preconcebidas que os planisférios tendem a produzir, provavelmente só terá um remédio: arranje um globo – e mantenha-o sempre rodando” (Basil Blackwell)

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Nas obras de Eric Ficher: ” a intersecção de ciência, arte e contação de histórias é vividamente ilustrada na obra de Eric Fischer, um ex-engenheiro da Google, cuja cartografia data-driven é tão deslumbrante visualmente, como  reveladora.”

São deles o mapas das “raças e etnias” das cidades dos EUA. Neles: vermelho é Branco, azul é negro, verde é asiático, laranja é hispânico e amarelo outra etnia. Cada ponto corresponde a 25 moradores.

Contiguous United States, Census 2010

O caso de Nova Iorque:

NewYorkB

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A peça abaixo é “London Postal Districts” de Emma JohnsonQue emaranhado de ruas!!!
http://emmaporium.files.wordpress.com/2012/09/20120920-190326.jpg
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É de uma série muito bonita que pode ser vista aqui:
http://emmaporium.wordpress.com/tag/layered/
                                                                              BATH
Abaixo a Cartografia Surrealista de Jennifer Maravillas:

Surrealist Cartography Art~Jennifer Maravillas | The Creative Commons | Scoop.it

 “A Artista Jennifer Maravillas foi inspirada por suas muitas viagens as áreas metropolitanas dos Estados Unidos. Sua criação de cartografia artística é mais percebida como obra de arte abstrata do que como representação do espaço urbano
Surrealist Cartography by Jennifer Maravillas in art Category
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Surrealist Cartography by Jennifer Maravillas in art Category

Uma bela poesia sobre certo “mapa”, que eu não conhecia, me foi apresentada pelo Roni Reis (como podem ler em comentário abaixo). A poesia nos remete a um mapa de uma vida. Vida de um poeta “que sofreu e se atormentou” com os “nãos” recebidos em sua pátria. Para entendê-la, só aprofundando nas murilogramas… Coisa que vou procurar fazer lendo suas obras e sobre elas. Dele são também essas palavras, que ajudam a entender “Mapa”

”Não sou brasileiro, nem russo nem chinês,
Sou da terra que me diz NÃO eternamente-
Eu sou terrivelmente do mundo”

(Murilo Mendes)

 

Mapa

Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.

Me vejo numa nebulosa, rodando, sou um fluido,
depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregam numa cruz, numa única vida.

Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.

Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem
nem o mal.

Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamentos,
não acredito em nenhuma técnica.

Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim.

Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações…
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.

Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noites, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção,
o mundo vai mudar a cara,
a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.Andarei no ar.

Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.

Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos,
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres,
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar,
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens “práticos”…
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito…
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.

Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive,
vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,
estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre

em transformação.

                                                                      Murilo Mendes

8 Respostas to “Cartografia – mapas e arte”

  1. Thaine Ribeiro Santos said

    Parabéns pelo Blog! Excelente trabalho que vocês desempenham, muito informativo repleto de coisas novas e interessantes…
    uma ótima ferramenta de pesquisa para professores e alunos de Geografia.

    • mileumlivros said

      Muito obrigado pelas palavras gentis, Thaine.
      O negócio é esse, continuar pesquisando. É o que faço também!
      Parabéns e boas pesquisas nesse mar que é a internet. Navegar é preciso!!!
      Abraço.
      Eugẽnio Pacceli da Fonseca

  2. […] This example shows the detailed process of word mapping; utilising typography, colour and graphic processes in order to transform a working map into a piece of graphic art. Image from here. […]

  3. Márcia Milani said

    Que ideia genial este site. eu me realizei como professora de geografia.

    Parabéns!!!!!!!!!!!!!

    Márcia.

  4. Roni Reis said

    Prezado Professor, que trabalho magnífico!!!!
    Um verdadeiro “inventário da arte dos mapas”…
    PARABÉNS.

    À medida que fui vendo/lendo, logo lembrei-me destes versos correlatos e igualmente belos do Poeta Murilo Mendes, “Mapa”:

    https://alairrochadecastro.wordpress.com/2007/04/10/mapa-murilo-mendes/

    Saudações,
    Roni Reis / SP

    • mileumlivros said

      Olá, Roni. Saudações.
      Muito obrigado pela gentileza das palavras e por me apresentar a essa bela poesia, que eu não conhecia, mas que agora conheço graças a você. Esse é o tipo de troca que me alegra na internet. Muito obrigado, mesmo! (vou colocá-la nessa mesma página do blog).
      Tudo de bom!
      Um abraço cartográfico!
      Eugênio Pacceli da Fonseca.

  5. Diogo Conte said

    Parabéns pela ideia! Desejo Sucesso!

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