Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Montanha, Planalto, Planície – maquete das formas de relevo

Julho de 2016 –  Cartografia Escolar. Formas de relevo – maquete.  Como fazer modelo em curvas de nível do famosíssimo bloco ilustrativo das “formas do relevo” (para nós, professores de Geografia, por acaso há bloco mais famoso do que esse?). Por Eugênio Pacceli da Fonseca.

MONTANHA 3montanha

 

              com a depressão  e pintadoMONTANHA 4 photo

Finalmente volto a postar nesse meu querido blog. Hoje minha preocupação é terminar algo que comecei em outra página: o desafio de fazer uma maquete do famoso bloco-modelo “Montanha, Planalto e Planície.” Sempre quis fazer uma maquete desse bloco didático. Nós professores de Geografia sempre tivemos o sonho de um bloco desse bem feito. Com crianças novinhas nada contra fazer com argila, farinha de trigo, massinha, etc. Mas sempre acho insatisfatório. As escalas me desagradam. Sempre aparece um cavalo, um bonequinho, uma casa, quase tão altas quanto as montanhas. Passei a achar que as curvas de nível me dariam essa solução. E deram mesmo.

Montnha 1

Terminei o bloco 3D Montanha, Planalto e Planície, e como sempre, vou postar aqui, passo a passo, como pode ser feito. Incentivo que mais professores façam e peçam seus alunos que façam também. A minha “filosofia” é a mesma: cada aluno faz o seu. Por isso tendo a trabalhar sempre com folha A4. Foi um desafio, pois a escala é muito reduzida. Futuramente acrescentarei uma depressão.  Obs: finalizei com a requisitada depressão, também em E.V.A.  no dia 4 de agosto 2016, e vou postar brevemente em outa página, vejam no reduzido abaixo que coloquei um “mar”, à moda Mar Cáspio, em papel azul. Esse mar foi colado no fundo da depressão sobre a prancha de 500 metros. A prancha de 600 metros foi aberta no flanco para a depressão e ao colar expôs a prancha de 500. Nesse “buraco” colei o mar que imprimi em azul… Olhar a página:   

https://cartografiaescolar.wordpress.com/maquete-das-formas-de-relevo/

com depressão

 

O desafio foi passar para 3d, usando curvas de nível, o modelo que rascunhei e postei há muito tempo na página “Cartografia Escolar – Maquete – fazendo com isopor”. Reproduzo abaixo:

Como se vê um modelo simples, que modifiquei bastante e passei para esse modelo abaixo, ainda simples, todavia um pouquinho mais elaborado:

montanha
Já me arrependi de não ter colocado “depressão” logo de cara, pois, todos a quem mostrava a maquete pronta perguntavam: “e a depressão”? (Veja observação acima que já terminei  minha maquete das formas de relevo com depressão…)

Sou da velha guarda e nos meus estudos originais não se falavam em depressão como forma muito relevante no Brasil (a não ser em estudos de casos, como as depressões periféricas de BH e de São Paulo). Depressões só eram citadas como formas importantes em relevos elaborados em climas desérticos… Mas tudo bem, vamos nos dobrar às depressões. Aliás, não tão facilmente: quem leva a sério estudo de relevo nas escolas básicas, hoje? Eu digo: infelizmente, ninguém. Em parte graças às dezenas de unidades de relevo que o Brasil apresenta de acordo com os estudos de Jurandir Ross. Aí é que desistimos mesmo de estudar as unidades de relevo do Brasil no sétimo ano, com os nossos alunos. Passou-se a adotar essa classificação em detrimento das mais antigas, mas em compensação ninguém estuda mais o relevo do Brasil. Uma solução que encontrei para estudar relevo sem matar de tédio os alunos foi trabalhar unidades de relevo mais próximos da realidade dos mesmos: vertentes, topos, sopés, morros, vales, planícies de inundações, etc., sem abandonar as grandes: montanhas, planaltos e planícies.

Vejam que no modelo novo optei por ilustrar planície, com uma planície costeira. Encravei um canyon no planalto e nele, planalto, coloquei uma ondulação para mostrar que planalto não é necessariamente plano. O Canyon é o curso médio de um rio, cujo curso baixo corre na planície até desaguar em delta no mar.

Eis a montanha                   o planalto:                                                                  a planície:

a momtanha                  o planalto                    a planície

Fácil verificar que as curvas de nível estão equidistantes 100 metros

Vejam como ficou:

montanha6

Acho que ficou bom e tem a dimensão de uma folha A4. Não há dificuldades para fazer. Na verdade a dificuldade é o papel que se gasta. Em escolas que “amarram” papel não dá para fazer “cada aluno o seu modelo”. Aí faz-se em grupo. Podemos ampliar.  Basta pedir em uma copiadora… Se é para apontar uma dificuldade é recortar as peças muito pequenas (os topos das montanhas), mas nada impossível de fazer. Minha escola sempre teve papel de sobra e meus alunos foram treinados a recortar peças pequenas em outras atividades . Notem que abandonei o isopor e faço tudo hoje com E.V.A. (emborrachado). Não sei a pegada ecológica do isopor e muito menos do emborrachado, mas aceitei pressão externa e abandonei o isopor (era divertido pois os alunos o cortavam com agulha quente!)…

Como fazer a maquete das formas de relevo:

Passo 1 – obviamente estudar com profundidade os temas: “relevo expresso em mapas”; “curvas de nível”, mapas hipsométricos, declividade, perfis demográficos, etc. Tudo pode ser revisto aqui mesmo nesse blog.

Passo 2 – entregar o mapa básico para o aluno. Trabalhá-lo. Colocar pontos, perguntar sobre suas altitudes. Trabalhar escala. Mas qual é a escala do mapa e do modelo acima? Vamos pensar a respeito mais a frente.

Passo 3 – Entregar cada prancha (peças de determinada altitude) para que os alunos recortem o papel, colem no E.V.A., recortem no E.V.A. Para que se cole uma sobre a outro. Mas oriente que é para recortar um, a outra imediatamente superior e colar. Só depois entregar a outra prancha. Colar então uma a um, para que ele, aluno, não misture peças.

Vamos começar

FAZENDO:  (vale para todas as peças)

Prancha 1.

Será em E.V.A. azul, pois, está abaixo do nível do mar. Recortar e reservar. A peça 2 deverá ser colada sobre essa peça 1.

Imprimir esse modelo em papel

[ATENÇÃO: se tiver reduzir ou ampliar a prancha antes de imprimir, terá que fazer o mesmo com todas as peças. Eu, por exemplo, fiz assim: salvei imagem da prancha 1 para meu computador. Depois abri no GIMP (o Paint da linux). Aberto no GIMP, mandei imprimir. Só que não saiu completo. Só saiu depois que abri no GIMP, fui na janela “imagem” e selecionei a opção “tamanho para a impressão”. Nessa opção multipliquei tanto a largura, quanto a altura por 1,5. Fiz isso mandei imprimir novamente, coube completo na folha A4. Tive que repetir o processo para imprimir cada uma das pranchas, para que a escala das mesmas fossem iguais]

Recortar.

Colar sobre o E.V.A.

Recortar.

RETIRAR O PAPEL E JOGÁ-LO FORA.

colo peça recortada no E.V.A depois retiro o papel

Colar a peça 2, recortada do mesmo modo, sobre essa peça 1.

1 prancha - BASE xc bf

Prancha 2 – altitude negativa: – 200 metros. Também em azul. Colar sobre a peça 1 e aguardar a peça 3 que será colada sobre essa peça 2.

2 prancha- menos 200 xcf

Prancha 3 – Também em azul pois está abaixo do nível do mar e representa a altitude, na verdade, profundidade, de -1oo metros

3 prancha - - 100 metros - menos cem xcf

Prancha 4 . Fiz já na cor de “continente”, no meu caso, laranja. Vou considerar cobrir, para pintar depois, com papel toalha imerso na mistura cola-água como nos ensina o “Art Atack”…  Deve ser ensinado que a prancha representa todo, todo mesmo, território com altitude superior a zero metro, ou seja, representa toda a área emersa, seja com altitude de meio metro ou três mil metros…

4 prancha zero metro.

Prancha 5: área com altitude acima de 100 metros.

5 prancha- 100 metros xcf

Prancha 6- Altitude acima de 200 metros.

 

6 prancha 200 metros.

Prancha 7 – altitude superior a 300 metros.

7 prancha 300 metros

Prancha 8 – altitude superior a 400 metros

8 prancha- 400 metros xcf

Prancha 9 – altitudes superiores a 500 metros

9 prancha - 500 metros xcf

 

Prancha 10 – altitudes superiores a 600 metros:

10 prancha - 600 metros xcf.

Prancha 11 – altitudes superiores a 700 metros.

11 prancha 700 metros -xcf

Prancha 12 – altitudes superiores a 800 metros.

12 prancha 800 metros xcf.

Prancha 13 – 900 metros.

13 prancha - 900 metros xcf

.

Prancha 14 – 1000 metros.

14 prancha 1000 xcf.

Prancha 15 – 1100 metros

15 prancha- 1100 metros xcf.

Prancha 16 – 1200 metros

16 prancha 1200 xcf

.

Prancha 17 – 1300 metros

17 prancha- 1300 metros xcf

 

Prancha 18 – 1400 metros

18 prancha 1400 xcf

 

Prancha 19 – 1500 metros

19 prancha- 1500 xcf.

Prancha 20 – 1600 metros

20 -prancha 1600 metros.

Prancha 21 – 1700 metros

21 prancha- 1700 metros xcf.

Prancha 22 – 1800 metros

22 prancha 1800 xcf.

Prancha 23 – 1900 metros

23 prancha- 1900 xcf.

Prancha 24  –  2000 metros

24 prancha 2000 metros -xcf.

Erro localizado bem aqui.JÁ CORRIGIDO. Havia duas pranchas iguais (a 24 e a 25).

Prancha 25  – 2100 metros.

25 prancha 2100 metros

.

Prancha 26 – 2200 metros


26 prancha certa - 2200 xcf

.

Prancha 27 – 2300 metros

27 prancha- 2300 xcf.

Prancha 28 – 2400 metro

28 prancha certa - 2400 xcf

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Prancha 29 – 2500

29 prancha- 2500xcf.

Prancha 30 – 2600 metros

30 prancha - 2600 metros xcf

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Prancha 31 – 2700 metros

31 prancha - 2700 xcf.

Prancha 32 – 2800 metros

32 prancha - 2800 xcf

.

Prancha 33 – 2900 metros

33 prancha- 2900 xcf.

Pronto!

Agora é imprimir e mandar rodar para os alunos.

Disse que não sei se pintaria, pois achei que já estava bom. Com essa maquete o professor pode abordar muitos aspectos da geografia física da Terra. Não preciso sugerir nada (mas se pedirem sugiro!). Acho contudo que pintarei, mostrarei algumas etapas abaixo.

Foi me perguntado se venderia um modelo desse. Até que não é má ideia. Acho que vou passar a vender os modelos (o mapa mãe e todas as pranchas e mais algum outro modelo por um preço razoável). De qualquer forma ele está aí para quem quiser copiar de graça, se possível citar a fonte eu agradeceria, pois nunca vi um modelo desse na internet- vou pensar a respeito e voltar à questão depois.

Fotografei algumas etapas do processo e quero mostrar aqui:

As peças em papel A4

As peças em papel A4

colo peça recortada no E.V.A depois retiro o papel

colo peça recortada no E.V.A depois retiro o papel

 

o modelo no papel A4 e a maquete pronta (e linda!)

o modelo no papel A4 e a maquete pronta (e linda!)

Passo além: cobrindo com papel toalha cola/água

Passo além: cobrindo com papel toalha cola/água

 

 

 

img_20160901_150924977

Depois de seco, pintando.

Depois de seco, pintando.

outras cores.

outras cores.

 

com a depressão e pintado

com a depressão e pintado

Obs: tive que fazer “photoshop” na foto acima, tanto no lago da depressão quanto perto do cotovelo do rio. É que barberei com o verde que escorreu e preferi corrigir no photoshop a pintar tudo de novo! Desculpem essa falseada no trabalho.

Na verdade não gosto de esconder as curvas de nível, que afinal permitiram a confecção da maquete. Nem de pintar. Sempre acho que fica meio falso. Se os artistas que me seguem puderem me sugerir como pintar, ficaria feliz. Vou tentar de verde para se aproximar de uma imagem de satélite. Aguardem.

AUTO CRÍTICA

Pintura

Primeiramente digo que fiquei satisfeito com a maquete das formas de relevo sem a cobertura com papel e sem a pintura. Com a pintura fiquei mais ou menos satisfeito. Não sou artista e tenho dificuldade com as tonalidades corretas. Viram que optei por uma ampla “região” desértica. Me inspirei na visão do vale do Nilo e em sua foz. Me parecia mais fácil pintar nas cores do deserto. Vou pintar de verde para ver se fica melhor.

Relevo pouco recortado (notadamente as vertentes)

Só reparei no final que, se se trata de uma ampla região não deveria ter deixado o relevo tão regular, ou seja, na vertente do planalto e na própria cordilheira de montanha vejo agora falhas. Não deveria ter deixado a tal vertente de planalto tão reta e pouco recortada. Por mais seco que o clima seja, torrentes que se formariam na ampla área depois das poucas chuvas abririam valetas naquelas encostas tão íngremes e as desenhariam de forma diferente. Acho que vou substituir as pranchas relativas a elas (da sétima até a décima terceira) por novo desenho das encostas do planalto, com mais recorte. Isso depois de pintar de verde. Desfazer tudo para refazer as citadas pranchas. Talvez eu consiga (tenho que estragar a pintura etc).

Com as montanhas tenho mais preguiça de dar mais “dinamismo” às suas vertentes. As peças são muito pequenas. Talvez deixe como está. Conclamo a quem for repetir o trabalho que faça isso por mim… Fosse fazer eu mesmo, providenciaria: agudaria mais os topos (peças menores ainda), recortaria mais as vertentes, com mais cicatrizes de torrentes.

Escala horizontal e vertical da maquete:

Achei que o canyon ficou ilustrativo, só que estou com dificuldades de chegar a uma escala, estou jogando com a largura do delta e com a largura do canyon… Me ajudem se puderem a chegar a uma escala horizontal razoável (a princípio estou pensando em 1:500 000. Seria uma escala conveniente, mas pouco realista.  As formas de relevo precisam de um espaço maior para variar tanto. Digo isso porque nessa escala, de norte a sul, nossa região teria menos que 150 km. Se conseguir confirmar que algo levemente semelhante acontece no Chile, fico com ela). A escala vertical já está dada. Calculada assim (regra de três):

espessura do E.V.A ————- 100 metros

1,0 cm————————-   X metros

 

0,1 cm ———–100 metros

1,0 cm————-  X metros

X= 1000 metros

Logo, a escala vertical é de 1 cm : 1000 metros

ou 1 cm:100 000 cm

Assim a escala vertical é forçosamente de 1: 100 000

Digo forçosamente porque escolhi trabalhar com e.v.a. de 1,0 mm de espessura  (0,1 cm) e escolhi ainda que cada espessura dessa valeria 100 metros de altitude.

Vou pensar um pouco mais sobre a escala horizontal, para que o exagero de minha maquete fique razoável…

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