Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Serra do Curral – maquete

Novembro 2017, por Eugênio Pacceli da Fonseca (Belo Horizonte, Minas Gerais)

Maquete da Serra do Curral, sua mineração e Parque das Mangabeiras a partir do Google Mapas.

Vou começar a fazer maquete de parte da Serra do Curral aqui de Beagá (para quem não sabe: Belo Horizonte) que pretende mostrar parte do Parque das Mangabeiras e a mineração a céu aberto na vertente sudeste da mesma.

A mineração é atividade muito importante para o meu estado de Minas Gerais, como seu nome estampa, bem como para nosso país. A despeito das riquezas criadas é atividade extremamente impactante ao meio ambiente, a tal ponto de, às vezes, a gente desejar que ela nem seja desenvolvida. Fato é que poucos querem ter imensas áreas de sua terra natal esburacadas pela atividade mineradora. Mas há fatos que se impõem e a mineração é um deles, o que não quer dizer que todas as medidas que visem reduzir a força dos impactos citados não devam ser tomadas.

Os limites sul e sudeste de Belo Horizonte passam sobre a Serra do Curral que separa o território de Belo Horizonte do território do município de  Nova Lima. O Objetivo aqui é fazer a maquete de parte dessa Serra, exatamente na divisa entre BH e Nova Lima, alcançando parte do terreno do muito visitado parque das Mangabeiras e parte do terreno de mineração ainda ativa que ocorre na vertente oposta à do parque. É curioso como muitos dos visitantes do Parque não sabem o que ocorre a poucos metros “atrás” da Serra, já que o parque cobre parte da vertente norte e a mineração, parte da vertente sul. Verdade se diga que a própria vertente norte, ou seja, sítio do atual Parque das Mangabeiras, já foi sítio de mineração, depois recuperado.

Vamos proceder como fizemos com a Maquete de Ouro Preto: localizar no Google Mapa o terreno desejado, escolher no Google Mapa a escala, fazendo aparecer as curvas de nível na visualização “terreno” ou “relevo” da área. Isolamento da mesma; destacar as curvas de nível, apagando imagens desnecessárias para nossos fins e, finalmente,a confecção da maquete em E.V.A…

Vamos por partes.

Primeira tarefa: conseguir o mapa com curvas de nível da área. Sou de uma época que não se conseguia comprar mapas topográficos com facilidade. O IBGE, quase sempre de greve, imprimia os mapas com parcimônia. Quase nunca encontrávamos os que queríamos e quando conseguíamos era uma alegria…

Hoje, com o Google Mapas, temos mapas com curvas de nível de qualquer lugar que quisermos. Então, liguei o Google Mapas ele já me conduziu para minha cidade, Belo Horizonte, e meu trabalho foi só trabalhar com a escala, posicionar o Parque das Mangabeiras no centro e pronto. Consegui essas imagens:

 

Olha, aí que beleza! Sei que serei repetitivo e nostálgico, mas vou dizer de novo: para conseguir uma imagem como essa no passado era uma epopeia. Tínhamos que convencer o diretor que comprar os mapas no IBGE era muito bom para o “processo de ensino e aprendizagem”, etc e tal. Depois era gastar tempo e sola de sapato para ir ao tal IBGE e achar os mapas de interesse. Agora, poucos clics e tchan, a mágica está feita…

Estava vendo os recursos do Google Mapas e vi que se pode escrever agora sobre o próprio, facilitando mais ainda o trabalho do professor. Como não conhecia esse recurso, arranquei as curvas de nível a fórceps. Abaixo o mapinha impresso conseguido no Google Mapas com o primeiro reforço das curvas. Obs: o mapinha abaixo foi conseguido há já bons anos, talvez quatro ou cinco. Já as imagens acima foram conseguidas “ontem” (novembro 2017), por isso há diferenças entre a imagem do Google Mapa acima e os meus mapinhas trabalhados abaixo. É que eu já havia começado a reforçar as curvas de nível e parei por aí e só retomei os trabalhos agora. Fiquei com preguiça de começar tudo de novo…

Vamos analisar brevemente a imagem. Trata-se de uma área de relevo muito “movimentado”, com grandes declividades. Apresenta as maiores altitudes do sítio da cidade da capital mineira. Notem os usos da terra. Ao norte da Serra, uso urbano, bairros e parque. Ruas, avenidas, praças, estacionamentos, quadras. Do outro lado, sem que a população veja, escondida atrás da própria serra, tal como um biombo, a mineração em larga escala, levando o minério de ferro de que é feita a serra. A área do mapa envolve a famosa Praça do Papa. Nela o Papa João Paulo II rezou uma missa. Quando chegou à Praça e viu a imensa Serra à sua frente o Papa falou em português: “é realmente um belo horizonte!” e alguém gritou: “olha direito Papa!”

As curvas estão equidistantes verticalmente vinte metros. Ou seja, as curvas vão de 20 em 20 metros.

Parei nesse passo já faz alguns anos. Vou retomar só hoje (05/11/2017). A próxima tarefa é depurar o mapa usando um processador de imagens. Vou deixar apenas as curvas.  Se eu der uma imagem cheia de ruídos para os alunos trabalharem, tudo fica mais difícil. Desafio um colega a fazer antes de mim. Vamos lá, gente! Ânimo!

Veja como está ficando depois de mais um trabalhinho de “limpeza” do mapa. Vou deixando só as curvas. A citada Praça do Papa está no sudoeste da área mapeada (canto inferior esquerdo).

 

Vejam que o trabalho é lento.  Quer usá-lo no ano que vem. Comece hoje. Claro que só estou dedicando por dia alguns minutinhos…

Você pode fazer de sua cidade. De parques e áreas turísticas. Há tempos ajudei um colega professor a fazer de uma área de relevo pouco ondulado que ainda envolvia um pico isolado mais alto, próximo à sua cidade. Corresponderia no Nordeste a um “inselberg”. Em Minas temos o Morro das Garças, no município de mesmo nome…

 

Pronto, fora uma coisinha e outra, limpei o mapa, deixei só as curvas e agora vou separar nível por nível. Cada curva dará origem a uma prancha. Estamos avançando bem.

As curvas da nordeste desse mapa carece de uma consulta ao mapa original para colocarmos os valores corretos. Estou fazendo isso no momento.

Posteriormente vou localizar o Pico Belo Horizonte, que para nossa vergonha é esse logo à nordeste da imensa cratera de mineração.

1 – prancha da base. Única que não acompanha uma curva para recorte. Representa toda a área.   Essa hora é importante para o entendimento do aluno. Não basta entregar a prancha para o aluno e dizer para ele recortar. Tudo bem, funciona, mas é preciso que ele entenda. No mapa acima, interprete com o aluno, se vê que as curvas de menor altitude são aquelas curvinhas no fundo da cratera da mineração, área hoje ocupada por um lago, já que se trata de uma depressão relativa e fechada. As duas curvinhas representam altitudes de 920 metros. Para fora dela as altitudes são superiores a novecentos e vinte metros. Dentro dela, altitudes inferiores a 920 metros. Deixe claro: dentro da cratera as altitudes são menores que 920 metros, mas são superiores a 900 metros, pois, se existissem altitudes menores do que isso, obrigatoriamente apareceria a curva dessa altitude.

 

2 – altitude superiores  a 920 metros. Vejam que é quase a área toda, excetuando o fundo da cratera, logo, essa prancha ficará com dois buracos na área que corresponde a esse fundo. Jogar fora as áreas em cinza, ou seja, com altitudes menores que os 920 metros.

 

3- Ficam as altitudes superiores a 940 metros. A área cinza, a descartar, representa terreno com altitudes inferiores a essa. Essa área cinza será recortada e jogada fora, abrindo um buraco na prancha, parte da cratera.

Deixei o quadradinho em vermelho, que é a praça do Papa, para que se veja o quão próximo ela está do fundo da tal cratera, sem que a população belo horizontina ao menos façam ideia remota…

 

4- Ficam as altitudes superiores a 960 metros. As inferiores são descartadas (em cinza)

A noroeste, a mancha urbana já é forte; trata-se de área já muito povoada. Importantes bairros bem próximos ao centro da cidade já aparecem.

 

5- Ficam (em branco na prancha) as altitudes superiores a 980 metros. Em cinza, para descarte, áreas nas quais as altitudes são menores que 980…

6- Ficam (em branco na prancha) as altitudes superiores a 1000 metros. Em cinza, para descarte, áreas nas quais as altitudes são menores que 1000…

7 – Ficam (em branco na prancha) as altitudes superiores a 1020 metros. Em cinza, para descarte, áreas nas quais as altitudes são menores que 1020…

8 – Altitudes superiores a 1040 metros. Descartar o que estiver em cinza.
Observe que a peça vai ficando cada vez menor, por isso se gasta pouco E.V.A (emborrachado), ou isopor. Repare com seus alunos que a boca da cratera vai se alargando e a noroeste o sítio da cidade, como disse, ocupa as altitudes menores. Para quem conhece, quanto mais para noroeste, mais próximo do centro da capital mineira. Estamos descendo os contrafortes da Serra do Curral, rumo ao “centro da cidade” como falamos por aqui em Beagá. Só não digo que estamos descendo a Av. Afonso Pena, porque ela ficou bem no cantinho…

9- Altitudes superiores a 1060 metros.

10- Altitudes superiores a 1080 metros.

11- Altitudes superiores a 1100 metros.

12 – Altitudes superiores a 1120 metros.

13 – Altitudes superiores a 1140 metros.

14- Altitudes superiores a 1160 metros.

15 – Altitudes superiores a 1180 metros.

16 – Altitudes superiores a 1200 metros.

17 – Altitudes superiores a 1220 metros.

18 – Altitudes superiores a 1240 metros.

19 – Altitudes superiores a 1260 metros.

 

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