Cartografia Escolar

A cartografia da sala de aula

Três respostas

Marcos Rocha gostou de tudo e perguntou de brincadeira de onde tiro tantas idéias curiosas. Primeiro, Marcos, não são muitas, são até poucas. Mas o segredo, hoje, é navegar. Veja se não dá para fazer o modelo abaixo da estrutura interna da Terra de isopor:

learning-resources--cross--section-earth-model

Fazendo de isopor teremos que achar soluções próprias, por exemplo, para o encaixe. É uma questão de pensar. Achei o modelo aí acima procurando por brinquedos educativos. O negócio é ter tempo para fazer!

Já o engenherio Paulo Faria que trabalhou nos EUA disse que há técnicas muito avançadas para fazer blocos 3D e mesmo para ver imagens 3D muito melhores do que as apresentadas aqui. A grande questão aqui, Paulo, é que não estou procurando a técnica mais evoluída (e cara, e de difícil acesso). Minha preocupação é didática e ligada à realidade brasileira. Um óculos para anáglifos pode  ser feito com papelão e folhas de papel celofone azul e vermelho. Tudo barato e simples. O próprio aluno pode fazer. As imagens do tipo anáglifos de interesse geográfico estão na rede e são de fácil acesso. Já os blocos feitos de isopor, papelão ou emborrachado, vão na mesma linha: o aluno pode fazer com a orientação do professor. Ele aprenderá sobre curvas de nível, sobre declividade de terrenos, sobre escalas das formas de relevo, etc, etc. Não estou pensando em comprar belos blocos de resina feito por máquinas computadorizadas. Podemos até comprar um ou outro, mas meu objetivo é diferente. Veja que no próprio EUA o “faça você mesmo” é muito valorizado:

llano
geoblo6

geoblo9

volcanic

Veja se este terceiro bloco não se parece com a técnica de maquete que eu tento divulgar aqui. Veja, ainda, se as árvores representadas no segundo bloco não lembram os Cenários Geográficos do prof. Neto (vide a página Cenários). Todos estes blocos (ou melhor as instruções para que possam ser construídos) são vendidos num site norte americano o endereço dele é este: www.geoblox.com/faqs.html . Mesmo que não compremos nada, ele é inspirador.

Nós professores de geografia devemos revalorizar os conteúdos de geografia física e de cartografia e buscar o envolvimento do aluno. Creio que teremos mais sucesso assim.

Só para mostrar ao Paulo que não estou tão desatualizado assim (apesar de ser um velho professor), vejam a imagem 3D que fiz utilizando um programa conseguido pela internet:

Sem título 2

O legal é que é uma imagem de minha cidade, Belo Horizonte, onde seu limite sul, a Serra do Curral se destaca. E ele ainda se move na tela do computador! O programa permite ainda exageros de até cinco vezes. Ele produz imagens como esta de muitos lugares do planeta. Dos EUA produz até mapas topográficos em relevo (curvas de nível e alto relevo conjugados) e pode ser baixado gratuitamente, pois o interesse dos seus autores é vender o bloco 3D feito de resina.  O preço chega perto dos setenta dólares, sem as taxas de importação. O site de onde se baixa o programa é:  http://create.landprint.com/index.html

http://landprint.com/

Vejo que os sem graças do site acima tiraram a possibilidade de criar a imagem 3D sem que se compre a maquete… O capitalismo venceu a sociedade da doação…

Que é bacana é!

Outra questão que perturbou outro leitor , que não citarei o nome, é o seguinte. Ele disse que estuda em uma universidade que usa vários materiais aqui postados e que sequer cita a origem. Já tive outras duas notícias disso.

Caro amigo, não se agaste por tão pouco. Tem gente que é assim mesmo (e a academia está cheio delas) só cita quem a cita, ou só cita quem tem título (!) superior ao dela (!!!). Mas essa gente vaidosa e cheia de si se esquece que há muitas pessoas, alunas delas mesmas, que acessam a internet e que sabem. Passam é vergonha! Eu é que não ligo para isso. Se não quiserem citar, não citem. Eu não sou dono de nada mesmo! (Aliás, encontrei um outro blog que repete página desse meu blog “letra por letra”. Digitem “cartografia e arte”  no google imagens e confiram, ele se destaca com “Londres em Vermelho”. Olha o curioso: acabei – 22 de julho-de constatar um erro na “interpretação” de um mapa-obra-de arte que eu havia feito e postado na página específica “Cartografia e Arte”. Claro, fiz a correção. Mas o blog que copiou, que é maranhense, está lá errado. Vamos ver até quando).

18 Respostas to “Três respostas”

  1. Rogério said

    Gostei bastante do seu trabalho, parabéns !!!
    Ano que vem pretendo modificar minhas aulas. Irei utilizar maquetes com, talvez, com todas as séries.
    Pra quem nunca fez maquete, qual o metodo mais simples?
    Abraço – Rogério

    • mileumlivros said

      Olá Rogério, saudações.
      Obrigado pelas palavras gentis.
      Tudo dependerá do nível de conhecimento sobre o conteúdo curvas de nível que os alunos apresentem. Para as turmas iniciais há a curiosa utilização de batatas para ensinar este tema, veja aqui: http://www.education.vic.gov.au/images/content/studentlearning/mathscontinuum/potatocontours.jpg
      e aqui:

      O endereço é de um site em inglês, a página mais específica é:
      http://www.education.vic.gov.au/studentlearning/teachingresources/maths/mathscontinuum/space/SP50001P.htm

      Veja que é um site de matemática, pois lá nos EUA esta conteúdo é ensinado por professores desta matéria, no item isolinhas… Acho que nós professores de Geografia devemos assumir este conteúdo, afinal se trata de aprender a entender mapas topográficos…

      Utilize mapas simples desenhados por você mesmo. Utilize os que aparecem neste site sem acanhamento. Ninguém nasce sabendo desenhá-los. É uma questão de prática. Eu sempre fui ruim em desenho, mas comecei a “dar minhas caneladas” premido pela necessidade e vontade.

      Há mapas topográficos maravilhosos na internet. Para turmas mais avançadas você pode utilizá-los.
      Obviamente em inglês achamos muito mais ajuda que em português. Este mapa por exemplo é muito didático (com um processador de fotos podemos tentar passá-lo para preto e branco e imprimi-lo. Aliás você me deu uma idéia, posso fazer isso e postar aqui, numa nova página…):

      É o mapa correspondente à muito afamada “Torre do diabo” (Devil’s Tower, situada em Wyoming, EUA). Se você digitar no imagens Google “contour line maps” achará muita ajuda.
      Para a maquete propriamante dita, é pegar o mapa e fazer como mostrei nas páginas correspondentes, principalmente: “Cartografia – Maquete”
      O grande segredo para que os alunos mais novos façam sem grandes problemas é o de fazer no papel “prancha por prancha” como mostrei. Gastará muit papel da escola. Marque como trabalho em grupo para evitar reclamações maiores sobre este gasto de papel. Mas não devemos nos deter por problemas deste tipo.

      Já fiz maquetes com alunos de todas as idades e nunca tive problemas, nem mesmo quando eles vão cortar o isopor com agulha quente, aquecida por velas em plena aula…
      Leia tudo que está escrito neste site sobre maquetes que você conseguirá.
      Se eu puder ajudar mais estou a disposição.
      Abraços.
      Eugênio

  2. brenda said

    lindas maquetes adorei e um exemplo

    • mileumlivros said

      Brenda, saudações.
      Muito obrigado.
      Eugênio.

      • vitória s dos santos said

        meu gostei da maquete so que eu nao queria sabe disso eu queria sabe a resposta pra meu trabalho de geografia o que podemos entender por relevo isso que eu queria!!@

      • mileumlivros said

        Olá, Vitória
        Olha, Vitória, relevo é o conjunto das formas que o terreno adquire como resultado do trabalho tectônico e erosivo. Não pense que o relevo é algo distante, como as longínquas montanhas, ou as serras e os planaltos de meu estado (Minas Gerais). O relevo está à sua volta. Uma pequena colina é uma forma de relevo. De dimensões reduzidas, mas tão respeitável quanto uma grande montanha. Para estudar o relevo olhe pela janela, saia à rua. Sua rua é uma pequena subida? Então você mora numa encosta suave. Imagine até onde vai essa subida. Você já foi até lá? Vá agora! Ou peça alguém para ir com você. Chegando lá, provavelmente você estará no topo da colina em que você mora. Não é legal saber que você mora numa colina? Eu de minha parte moro no sopé de uma colina assim, a uns duzentos metros de um rio. Alguém já disse que relevos se resumem em sopés, vertentes e topos. Seja uma montanha, uma planalto, uma cuesta e outras formas difíceis de imaginar, seus estudos partem dos estudos de como uma vertente ou encosta evoluem, através da erosão. Vamos, se anime. Procure fotos e mapas de seu bairro e comece a pensar sobre o relevo dele: como será que ele ficou assim? qual é o curso de água principal? como teria sido esse local há centenas de anos atrás e como ele será no futuro? como será que a água corrente molda essa encosta? Você já reparou na velocidade das enxurradas em sua rua? Olhe o mundo com cuidado e aprenda com ele. Espero não tê-la aborrecida com minha resposta. Um abraço, Eugênio Pacceli da Fonseca

  3. Carol said

    como fazer uma maquete de isopor ou papelão de um munitor do computador me ajude por favor

    • mileumlivros said

      Carol, saudações.
      Você veja que seu interesse é bem diferente do que eu tento ensinar nesse blog-site. Mas vamos lá: minha modesta sugestão é você se munir de tinta (da cor do monitor que você deseja e de cores para pintar nele a tela e os nomes LG, ou Sansumg…). Desenhe o monitor em um papel, olhando mesmo para aquele que você usa. Pode parecer difícil, mas vá passo por passo. Depois de desenhado a frente do monitor, você pode imprimir uma folha, e mandar ampliar se for preciso, com uma página da internet aberta. A página do google é bastante fácil e sua impressão não fica cara. Cole essa página em seu monitor. Acho que você deve tentar fazê-lo utilizando um bloco maciço de isopor (encontrado em lojas especializadas em isopor) Cole a frente que você desenhou e colou a página do google nesse bloco. Será obviamente sua frente. As laterais e traseira deverão ser limadas ou lixadas, uma vez que os monitores não são cubos perfeitos. Os monitores mais modernos, são bem mais finos e fáceis de fazer com uma placa de isopor de um centímetro de espessura, mas nele você ainda terá que pintar e colar a tal página falsa do google…
      Não sei se ajudei, mas tentei.
      Um abraço.
      Eugênio.

    • mileumlivros said

      Carol, saudações.
      Você veja que seu interesse é bem diferente do que eu tento ensinar nesse blog-site. Mas vamos lá: minha modesta sugestão é você se munir de tinta (da cor do monitor que você deseja e de cores para pintar nele a tela e os nomes LG, ou Sansumg…). Desenhe o monitor em um papel, olhando mesmo para aquele que você usa. Pode parecer difícil, mas vá passo por passo. Depois de desenhado a frente do monitor, você pode imprimir uma folha, e mandar ampliar se for preciso, com uma página da internet aberta. A página do google é bastante fácil e sua impressão não fica cara. Cole essa página em seu monitor. Acho que você deve tentar fazê-lo utilizando um bloco maciço de isopor (encontrado em lojas especializadas em isopor) Cole a frente que você desenhou e colou a página do google nesse bloco. Será obviamente sua frente. As laterais e traseira deverão ser limadas ou lixadas, uma vez que os monitores não são cubos perfeitos. Os monitores mais modernos, são bem mais finos e fáceis de fazer com uma placa de isopor de um centímetro de espessura, mas nele você ainda terá que pintar e colar a tal página falsa do google…
      Não sei se ajudei, mas tentei.
      Um abraço.
      Eugênio.

  4. Mônica Marcelino Damasio Madeira said

    Olá Professor. Amei a sua página. Sou professora de Geografia do Ensino Fundamental e do Curso de Formação de professores (Ensino Médio. Suas idéias e dicas me ajudaram muito no planejamento das minhas aulas. A sua sugestão dos anaglifos me ispiraram consegui um gerador de anaglifos e com o Google Earth fiz uma imagem do muunicípio da minha escola, depois posto os resultados.

  5. marcos said

    gostei!so que queria aprender a fazer

    • mileumlivros said

      Marcos, saudações.
      Copie tudo que está mostrado nessa página. É apenas uma questão de colorir e colar de forma certa nos mapas. Veja o exemplo da África: usei o mesmo material do prof. Neto. Colei nas latitudes de desertos (o cenário deserto), de savana (o cenário de savana) e assim por diante. Tente! Você vai conseguir!

  6. Raimundo Silva said

    muito importante pra quem deseja trabalhar na confecção de mapas em geomorfologia. Agradecido

  7. Eline said

    Amei as suas sugestões!! As maquetes são muito lindas. Estou inciando agora o trabalho com maquetes e gostaria de saber se posso pintá-las com tinta guache e logo depois pincelar com cola? Gostaria de obter sugestões de como trabalhar curvas de nível com alunos do 6º ano? Obrigada pela atenção!

    • mileumlivros said

      Olá, Eline. Saudações.
      Claro que pode usar tinta guache e pincelar com cola depois. Sem Problemas.
      Quanto à outra questão é começar bem concretamente. Desenhar o famoso “bolo de noiva de três andares” visto pelo alto. Se o aluno compreender que três círculos concêntricos o maior por fora e os outros dois dentro dele pode ser interpretado como o tal “bolo” ele está dando passos importantes para entender as curvas de nível. Use as a batatas se achar conveniente (veja as batatas nas página Curiosas Curvas de Nível…https://cartografiaescolar.wordpress.com/curiosa-curva-de-nivel/ ). Depois é fazer desenhos simples e até maquete simples (fique a vontade para copiar qualquer modelo que achar aqui) como aquela da colina que eu mostro na página https://cartografiaescolar.wordpress.com/maquete/
      Vá também à página https://cartografiaescolar.wordpress.com/1486-2/ e veja como os americanos trabalharam o tema no livro do Garfield – a citação é para inspirar, é uma coisa a se pensar.
      Tudo de bom.
      Eugênio.

  8. jessika said

    Preciso de sua ajuda para fazer uma maquete de dos pampas estou no quinto ano e não tenho nem ideia de como começar

    • mileumlivros said

      Olá, Jéssica. Saudações.
      Desculpe pelo atraso é que não tive muito tempo essa semana.
      Acho que primeiramente você deve se munir com algumas fotos do Pampa para te inspirar e orientar.
      O relevo será pouco acidentado, coberto por gramíneas, podem aparecer matas galerias e alguns cursos de água.
      Se o tempo for curto: pegue as imagens da pastagem no endereço abaixo, mas não a cole num plano e sim em papel jornal levemente amassado formando as suaves ondulações das coxilhas.
      https://cartografiaescolar.files.wordpress.com/2009/07/obf_background.pdf
      Ou seja: pode usar uma base de isopor e sobre ela colar as “coxilhas”, ou seja as suaves ondulações feitas com jornal amassado e sobre elas cole os pastos. Sempre é mais fácil trabalhar com escala menor, ou seja, as matas galerias, que aparecem nas baixadas das ondulações, onde os rios correm, podem ter suas árvores feitas com bolinhas de papel verde (é como se víssemos a paisagem de muito alto, do alto de um avião, por exemplo). Os rios em si, traços azuis sobre as pastagens, sempre passado nas parte mais baixas das ondulações, um lago pode ser coberto por gel de cabelo azul (dá um efeito legal). Se se trata de um trabalho de Geografia você deve mostrar todos os elementos espaciais citados aqui: coxilhas, riachos, lagos, pradaria, mata galeria e assim por diante.
      Uma outra indicação que já fiz e repito agora seria o seguinte: faça um diorama numa caixa de sapatos. Os americanos fazem muito isso e você pode escrever “dioramas biomas” no google imagens e muita coisa aparece. Veja: você cola uma paisagem já pronta no fundo da caixa e depois no primeiro plano faz imitações em escala um pouco maior do pampa, pode até usar a pastagem já citada nessa resposta acrescida de alguma moitas mais altas como na imagem abaixo:
      Grassland Diorama
      Claro que a imagem acima não é a mais apropriada, só coloquei para que servisse de exemplo de como se faz um diorama.Outro exemplo: http://www.flickr.com/photos/24608578@N00/5757590672/in/photostream/
      Você só tem que escolher uma foto bonita no google e preparar o primeiro plano tendo em vista o pampa…

      Um abraço.
      Eugênio Pacceli da Fonseca

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